Em partida válida pela ida das oitavas de final da Libertadores entre Rosario Central e Corinthians na noite desta quinta-feira, o estádio Gigante de Arroyito, localizado na cidade de Rosário, na Argentina, foi palco de mais um crime de racismo. Aos 21 minutos, o árbitro uruguaio Andrés Matonte paralisou o jogo após o goleiro Hugo Souza informar que a torcida adversária estava cometendo o crime de racismo contra o guardião.
Assim que Souza sinalizou, o juíz se dirigiu ao quarto árbitro e relatou as reclamações do goleiro do time de Fernando Diniz. O atacante Ángel Di María também se solidarizou e pediu para que os torcedores parassem. Ao mesmo tempo, o locutor do estádio fez alertas contra os atos racistas. Após o apito final, o camisa 1 comentou como se sentia à ESPN diante das ofensas vindas dos torcedores argentinos.
“Infelizmente, toda vez que a gente vem jogar aqui é assim. É o jogo inteiro, parece algo comum, mas não pode ser. É o jogo todo chamando de macaco, mono, negro de me****. Isso é uma coisa que acontece frequentemente aqui. A única atitude que eu posso tomar é comunicar ao juiz, falar. O que a gente tem que fazer é tentar manter a cabeça no jogo e torcer para que isso um dia mude", lamentou.
Hugo Souza também destacou que as ofensas não aconteceram somente na metade do primeiro tempo. Segundo ele, por isso foi fácil de ouvir, já que a torcida o injuriou desde o aquecimento. O episódio ocorreu na mesma semana em que a Conmebol lançou o “Manual para a Identificação e Prevenção de Condutas Discriminatórias no Futebol Sul-Americano”. Produzido pela força-tarefa da entidade voltada ao combate ao racismo, à discriminação e à violência, o material apresenta conceitos, dados estatísticos, exemplos de comportamentos discriminatórios e recomendações para prevenir e lidar com ocorrências desse tipo.
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Crime também ocorreu durante o paulistão
Esta não é a primeira vez no ano que o Souza é vítima de injúrias vindas das arquibancadas em seu ambiente de trabalho. Segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, em fevereiro, os torcedores da Portuguesa cometeram o mesmo crime contra o goleiro do Corinthians.
Dois meses depois, em abril, a Polícia Civil de São Paulo concluiu a investigação e indiciou dois torcedores por injúria racial. O episódio aconteceu após o confronto entre Portuguesa e Corinthians, válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista.
*Com supervisão de João Paulo Fontoura