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Imprensa sul-africana destrói o mito Pistorius

Atleta foi descrito como um homem "paranoico" pelos periódicos

Atleta escondeu rosto em tribunal sobre assassinato da sua namorada
Atleta escondeu rosto em tribunal sobre assassinato da sua namorada Foto : Antoine de Ras / AFP
A imprensa sul-africana dedicou grande espaço nesta sexta-feira ao assassinato da modelo Reeva Steenkamp pelo namorado, o atleta medalhista paralímpico Oscar Pistorius. Em artigos consagrados à personalidade do atleta, rebatizado de "Blade Gunner" - trocadilho com o nome do clássico filme Blade Runner e a palavra "gunner", atirador em inglês - ele é descrito como um homem "paranoico".
 
"Descobrir que Pistorius é acusado de assassinato é como ficar sabendo que o arcebispo Desmond Tutu foi pego roubando um caixa. Nós estamos estupefatos e não conseguimos acreditar", escreveu o jornal The Times. "Os homens o admiravam, as mulheres o adoravam. As crianças com deficiência física se inspiravam nele. Pistorius era um brilhante exemplo de como dar o melhor de si e superar qualquer obstáculo", disse ainda.

Mas o jornal, assim como seus concorrentes, aponta que "Blade Gunner" - que colecionava namoradas (loiras) com quem ele tinha frequentes discussões - é dono de um temperamento infantil e paranoico, além de ser um amante de armas de fogo.

O corredor chegou a ensinar um jornalista do New York Times a atirar. Um repórter do jornal britânico Daily Mail ficou surpreso ao encontrar na casa de Pistorius "bastões de críquete e de beisebol atrás da porta, uma pistola perto da cama e um fuzil automático ao lado de uma janela". Na época ele vivia em um condomínio residencial fortificado, eleito em 2009 como o "bairro mais seguro da África do Sul", segundo o The Star.

O jornal The Citizen deu o nome de "Blade Gunner" em referência ao apelido de "Blade Runner" dado a Pistorius graças a suas duas lâminas de fibra de carbono em forma de patas de felino com as quais ele corria.
O Daily Sun ironizou o sangrento dia dos namorados - celebrado ontem no hemisfério norte - com a manchete "Bloody Valentine" (dia dos namorados sangrento).

O jornal africâner Beeld, primeiro a dar a notícia e influente no círculo africâner de Pretória, citou incidentes anteriores envolvendo o atleta: em 2009, quando estava acompanhado de um amigo que atropelou e matou um pedestre, o corredor tentou impedir que a imprensa fotografasse o acidente dizendo "por que eu sou Oscar Pistorius". "Pistorius era uma fonte de boas notícias, o que explica porque os anunciantes o amam. E ele é muito bonito, o que deixa as coisas ainda mais fáceis", escreveu o site Daily Maverick.

"Ele deixou a África do Sul muito orgulhosa. Nos jogos Olímpicos, ele nos colocou na cena internacional: um dos nossos chegou lá. Ter que abandonar esta imagem para substituí-la por uma história profundamente feia, de violência e de morte, é traumatizante", acrescentou.

O Mail e o Guardian contam como a vítima, Reeva Steenkamp, foi comprar papel na quarta-feira para embrulhar o presente que daria ao amado. "Meu namorado gosta muito do dia dos namorados", teria dito à vendedora.

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