Se o futebol foi fator importante para alavancar a carreira política de Mauricio Macri – que já foi presidente do Boca Juniors –, o agora presidente da Argentina deve dar uma atenção especial ao esporte mais popular do país vizinho. Inicialmente, os direitos de transmissão dos torneios nacionais e a mudança na presidência da Associação de Futebol da Argentina (AFA) serão os primeiros aspectos a sofrer influência do novo comando da Casa Rosada.
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Desde 2009, o Campeonato Argentino em suas diversas divisões é transmitido pelo programa “Fútbol Para Todos” (FPT). O governo Cristina Kirchner fez uma parceria com a AFA e comprou os direitos de transmissão do futebol nacional. Com isso, todas as partidas das principais competições são transmitidas em televisão aberta no canal da TV Pública. Os jogos ainda são transmitidos para o mundo todo via Youtube.
Na transmissão da TV Pública, o governo Kirchner investiu pesado em propagandas do governo nos espaços comerciais. Em busca de apoio de cidades menores, já que o futebol da primeira divisão é muito centralizado na região de Buenos Aires, a Casa Rosada aumentou o investimento no FPT no último ano e, em contrapartida, exigiu que a AFA ampliasse o campeonato da primeira divisão de 20 para 30 clubes.
Ao longo de sua campanha Mauricio Macri negou que pretenda acabar com a transmissão da TV Pública – o que certamente causaria um prejuízo político. O recém-empossado presidente da Argentina, no entanto, nunca escondeu seu incômodo com as propagandas do governo no “Fútbol Para Todos”. O projeto dele então é privatizar a publicidade dos jogos para assim financiar parte da cota para aos clubes pelos direitos de transmissão dos campeonatos.
Macri deve influenciar diretamente na eleição AFA
Com Julio Grondona como presidente durante 35 anos, a AFA tem neste ano o seu primeiro processo eleitoral para escolher um novo comandante. Dois nomes disputam o cargo, Luis Segura, que assumiu o comando da associação após a morte de Grondona em 2014, e Marcelo Tinelli, empresário e apresentador de televisão, que é atualmente vice-presidente do San Lorenzo.
Sem mostrar preferência por nenhum dos candidatos ao longo da campanha eleitoral para a Casa Rosada, Mauricio Macri, já eleito presidente da Argentina, afirmou nos últimos dias preferir que Tinelli seja o novo comandante da AFA. A posição de Macri é um importante auxílio na disputa.
A AFA teve uma tentativa de eleição frustrada no último dia 3. Com 35 candidatos aptos a votos, a eleição terminou empatada em 38 a 38. Em explicação confusa, a comissão eleitoral anunciou que alguns dos votantes pegou duas cédulas e acabou fazendo dois votos. O pleito foi assim adiado. Ainda sem uma definição sobre a nova data, a tendência é de que a eleição ocorra ainda em 2015.
Influência de Macri deve pesar no futebol argentino
Agora na Casa Rosada, ex-presidente do Boca deve alterar forma de transmissão do esporte no país vizinho