Os africanos do Mazembe correram muito, tiveram mais volume de jogo e tentaram impor força física, mas a Inter foi mortal nos contragolpes e efetiva na marcação. Apesar de um segundo tempo discreto, Eto'o foi o grande nome da partida, pressionando a defesa africana pelo lado esquerdo e armando os contra-ataques com toques de primeira.
Pelo Mazembe, Kabangu foi novamente o destaque, sempre a principal alternativa pela direita do ataque. Cruzou bolas perigosas para a área e criou o lance mais nítido de gol do Mazembe: aos 34 minutos, ele limpou a defesa da Inter e cruzou para a área, quando Ekanga se antecipou e tocou à queima-roupa. Júlio César salvou o que poderia ser o gol da reação africana.
A Inter, contudo, controlava o ritmo do jogo e limitava as chances do Mazembe, que seguiu chutando de longe. Aos 39 minutos, o francês de origem africana Biabiany eliminou qualquer oportunidade de reação da zebra do Mundial. Nas costas da zaga, ele driblou o goleiro Kidiaba e cutucou para o fundo das redes.
Domínio colorado nas arquibancadas
Mesmo fora da final, a torcida colorada comandou a festa no Zayed Sport City. Apesar de coordenarem as ações dentro de campo, os italianos não exerceram essa força nas arquibancadas e só apareceram mesmo quando um torcedor invadiu o gramado segurando uma manta do Milan.
Os congoleses, em pequeno número, continuaram tocando sua "waka" animada por toda a partida, mas o show foi mesmo dos gaúchos. Mais de uma fez os gritos golorados se fizeram notar na transmissão mundial e, no segundo tempo, a "glória do desporto nacional" emergiu em meio à festa italiana. Até extravasar a flauta dos gremistas foi possível com a ajuda do público árabe, que eufórico acompanhou os cânticos contra o Tricolor gaúcho.
Ano perfeito dos italianos
Com a taça Fifa, a Inter de Milão encerrou um ano perfeito: faturou o Campeonato Italiano, a Copa da Itália e a Liga dos Campeões da Europa. Além disso, conquistou o terceiro título mundial, repetindo os feitos de 1964 e 65. O time teve um toque brasileiro: o goleiro Julio Cesar, o lateral Maicon, o zagueiro Lúcio e o volante Thiago Motta, todos titulares na final.
No início da competição, contudo, o caminho não parecia tão dourado para os italianos. Chegaram contestados a Abu Dhabi e até mesmo o favoritismo foi posto em dúvida. Talvez o Inter de Porto Alegre estivesse mais preparado. O técnico Rafael Benítez estava sob ameaçada de perder o emprego e, nos primeiro minutos da semifinal, o principal jogador do time, o meia holandês Sneijder, sentiu lesão.