Inter, Grêmio e Observatório da Discriminação Racial no Futebol lançam campanha
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Inter, Grêmio e Observatório da Discriminação Racial no Futebol lançam campanha

Clubes e instituição utilizarão o Gre-Nal para chamar a atenção contra o preconceito e ódio racial

Por
Correio do Povo

Observatório utilizará o valor arrecadado com o leilão dos uniformes para imprimir uma cartilha para usar na educação do público infantil

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O Observatório da Discriminação Racial no Futebol (ODRF) lançou junto com o Grêmio e com o Inter uma campanha que visa mandar um recado para a sociedade gaúcha e brasileira contra o racismo no futebol no clássico de sábado, válido pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro 2019. Marcado para o Beira-Rio, o jogo será chamado de "Gre-Nal contra o Preconceito" (#GRENALcontraoRacismo #ChegadePreconceito) e teve os primeiros movimentos na manhã desta quinta-feira com a publicação de posts nas redes sociais das três instituições. 

"Juntar dois clubes rivais há 110 anos, no maior clássico do Brasil, numa mesma causa representa uma importante demonstração para sociedade do papel do futebol como importante instrumento de inclusão social e de luta contra a violência e a discriminação. O Observatório se sente extremamente honrado de ter unido a dupla a GreNal na luta contra o racismo", revelou o diretor do Observatória da Discriminação Racial no Futebol. 

Na imagem da postagem, eles lembram os casos que ocorreram no Brasil e no Rio Grande do Sul entre 2014 e 2018. No primeiro ano, 20 agressões foram registradas nos gramados brasileiros e cinco no Estado. Em 2015, 35 em todo o país e nove em território gaúcho. No ano seguinte, 25 casos e 2 em terras gaúchas. No ano passado, os números bateram recordes, com 43 no Brasil e 10 no Rio Grande do Sul.

A campanha não é inédita, mas visa combater o preconceito nos estádios de futebol. A primeira vez ocorreu no jogo entre Bahia e Grêmio, pelo Brasileirão, no dia 1º de junho, no estádio Pituaçu, em Salvador. Na oportunidade, os dois times jogaram com um patch do ODRF nas camisetas de jogo. Renato Portaluppi e Roger Machado também usaram camisas com o símbolo de luta contra o racismo. Após o jogo, elas foram doadas e o dinheiro revertido na luta contra a descriminação.

A estratégia será bem parecida com a primeira ação envolvendo o Grêmio e o Bahia. Além dos uniformes com o patch, os capitães das duas equipes utilizarão uma braçadeira com a hashtag #ChegadePreconceito e os mascotes usarão a camiseta do Observatório. As camisetas serão leiloadas e o valor arrecadado será utilizado na impressão da "Cartilha contra a Discriminação", desenvolvida em parceria com o Museu da UFRGS. A publicação será usada em trabalhos de combate ao preconceito em escolas públicas e projetos sociais visando o público infantil.