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Índio confessa que não pensava em chegar tão longe

Jogador acaba de passar Figueroa como maior zagueiro goleador da história do Inter

Índio confessa que não pensava em chegar tão longe
Índio confessa que não pensava em chegar tão longe Foto : Cristiano Estrela
Marco Antônio de Lima nasceu há 35 anos em Maracaí, interior de São Paulo. Como a maioria dos amigos, começou cedo a vida adulta. Não pôde estudar devido à prematura busca pela sobrevivência, imposição da necessidade. Aos 19 anos - quando hoje a maioria dos jogadores já busca um lugar no time principal -, ainda cortava cana em uma usina da cidade e jogava nos finais de semana no time da empresa em troca de um plus no salário.

Fez uma peneira no Novorizontino (SP), passou e ficou. Depois de idas e vindas, encontros e desencontros, muitos clubes e imensas dificuldades, tão grandes que o fizeram quase desistir da bola, desembarcou no Beira-Rio em 2005. Aprumou a vida, conquistou títulos, arrebanhou admiradores e marcou gols. Tantos que acaba de passar Figueroa como maior zagueiro goleador da história do Inter.

Este é o resumo da trajetória de Índio, vida que não cabe em uma matéria de jornal. Mereceria um livro. "Tinha sonhos. Não pensava em chegar tão longe, mas também não desisti, nem diante das piores dificuldades. Sempre acreditei", afirma o jogador, sentado numa poltrona confortável, num condomínio de luxo. Do seu salário, dependem dez pessoas.

A seguir trechos da entrevista concedida na sexta-feira. Índio abordou o início da carreira, a grande fase, a idolatria por Figueroa, tudo. Só não quis comentar o problema que constrangeu a ele e ao clube no início do ano, o obrigou a fazer uma cirurgia e o afastou dos campos por três meses. "Foi problema particular. Não falo mais sobre esse assunto."

InÍcio da carreira

"Morava em Maracaí, cortava cana e jogava nos domingos para ganhar um extra. Aí, um amigo me levou para fazer uma peneira no Novorizontino. Antes ele perguntou: ''Já fez alguma exercício?''. Respondi que nunca tinha feito isso na vida. Ele me ensinou alguns. Fui lá, fiz o teste e assinei ficha de amador."

Maior dificuldade

"Jogava no Bragantino (em 1997). Não recebia salário há oito meses e via minha mãe passar dificuldade. Aí, tive uma lesão que tinha de ser operada, mas os médicos deixaram para lá. Deu gangrena e quase tiveram de amputar minha perna. Já tinha juntado um dinheirinho e liguei para minha mãe: ''Não preciso mais cortar cana. Vou comprar um caminhão''. Pensei que tudo tinha acabado no futebol. Ela disse para eu perseverar, pois poderia me arrepender no futuro. Troquei todas as minhas economias pelo meu ''passe'' e saí do Bragantino. Fiz a cirurgia e fiquei bom."

Inter

"Tudo o que tenho na vida eu devo ao Inter. Foi o clube que me deu oportunidade e me proporcionou uma série de conquistas. É um clube que dá toda a estrutura para o jogador. Retribuo como posso, jogando futebol."

Figueroa

"Quando cheguei no Inter, procurei um ídolo para me espelhar. Via as fotos do Figueroa em tudo que é lugar do estádio. Nunca vi ele jogar, mas sei que está na história do Inter, que foi um grande zagueiro. Pensei: ''Esse é o cara''. O Figueroa tem de ser a referência de qualquer zagueiro que joga aqui."

Celso Roth

"Ele chegou e acreditou em mim. Logo que chegou, conversou e pediu para eu jogar na esquerda, algo que nunca tinha feito na minha carreira. Aceitei, pois queria ajudar. O Roth tem o jeito dele, é sério e franco. Ele me apoiou e deu certo. Acho que fez um trabalho muito bom no Inter, adaptando o sistema tático aos jogadores do grupo. Graças a ele, conquistamos o título da Libertadores."

Críticas

"As coisas ruins que falaram sobre a minha pessoa (refere-se ao episódio do corte no braço, principalmente) também me ajudaram a crescer. Muita gente disse que a minha carreira tinha acabado no começo do ano. Provei que não, mas não tenho mágoa das pessoas."

Futuro

"Tenho uma genética boa. Devo isso a Deus. Comecei a jogar tarde, muito mais tarde que todos os jogadores, mas trabalho sério e me sinto muito bem atualmente. Não projeto o final da carreira. Tenho muito planos pela frente. Quero ser bicampeão do mundo e tri da Libertadores pelo Inter."


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