O ano de 2009 foi histórico para o Inter. Ao completar um século de vida, o clube almejava um ano cheio de conquistas dentro de campo. Mas nas duas competições mais importantes da temporada, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, bateu na trave. Mesmo assim, na avaliação do vice de futebol Fernando Carvalho, 2009 foi um bom ano. A Copa Libertadores é a grande meta para 2010. O dirigente revela, em entrevista, que o atual time é mais experiente que o de 2006, mas terá que provar a sua qualidade como o outro provou.
Qual a avaliação que o senhor faz do ano do Inter?
Acho que no final foi um bom ano. Conquistamos o Campeonato Gaúcho, a Copa Suruga e os vice-campeonatos da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro. Todos nós colorados queríamos mais, contudo, o clube foi competitivo em todos os certames, o que é obrigação. Não podemos esquecer que o time foi finalista da Copa do Brasil.
Na sua opinião, o que faltou para conquistar um título de maior expressão?
Fizemos de tudo para conquistar os dois certames nos quais chegamos em segundo. Porém enfrentamos adversários preparados que também poderiam vencer. Infelizmente , não deu para levar estes títulos. O futebol é assim mesmo.
Pelo resultado que surtiu a troca de treinador (Mário Sérgio por Tite), o senhor acredita que, se ela fosse feita antes, poderia ter resultado em algo melhor?
Como todos sabem, nós não gostamos de mudar treinador no meio da temporada. Não é da nossa filosofia, pois acreditamos em continuidade de trabalho. Contudo, nosso discurso no departamento de futebol não estava surtindo efeito, por isso a mudança, embora o Tite seja um ótimo treinador, que certamente vai trabalhar no Inter novamente. Por sua vez, o Mário Sérgio também foi um excelente profissional, cumprindo exatamente o que esperávamos, tanto que chegamos em segundo lugar e até e poderíamos ter vencido o Campeonato Brasileiro.
Se falou muito na saída do Nilmar na metade do ano. Mas outros times também perderam jogadores importantes. O Inter foi o mais prejudicado? E se ficasse o Nilmar, o Inter seria campeão no seu entendimento?
Continuo dizendo que o Nilmar, embora o grande jogador que é, foi vendido no momento que era possível, não sendo adequado agora falarmos em hipótese. Em 2006, vendemos três jogadores, (Sobis, Bolívar e Tinga) e algumas pessoas decantaram que estávamos desmontado o time. Mas, no entanto, fomos campeões mundiais jogando na final contra o Barcelona.
A década está acabando. Quando olha para trás 10 anos, o que o senhor enxergava do Inter?
Lembro que, quando nos preparávamos para as eleições, realizamos um planejamento estratégico, e lá nossa ambição era vencer Gre-Nais, que não vencíamos há dois anos, e conquistar Gauchão. É só ver qual é a atual ambição dos colorados hoje.
Como o senhor vê a hipótese de que o Jorge Fossati irá se ambientar no novo trabalho em meio a competições importantes, como a Libertadores?
Hoje o futebol está globalizado, e os profissionais atualizados, com comunicação fácil, como é o caso do Jorge Fossati, têm condições de fácil adaptação, mesmo em outro pais.
O episódio envolvendo Guiñazu, que assinou uma autorização para um representante ouvir propostas de outras equipes, não o preocupa, uma vez que parece que os clubes estão ''se atropelando'' ao negociar sem consentimento dos outros clubes?
O Guiñazu, capitão do nosso time, ídolo da torcida, tem mais três anos de contrato, e nós, da direção, queremos que ele cumpra este contrato, e não pretendemos negociá-lo. Deixamos isso bem claro.
Pouco se fala no Edu como alternativa para o ataque. O senhor aposta muito nesse jogador para o ano que vem, correto?
Sim, é um grande jogador, confiamos que será um dos nossos diferenciais no próximo ano.
Quais as diferenças e semelhanças que o senhor poderia apontar no time da Libertadores de 2006 para o que vai disputar a competição agora em 2010?
O time atual é bem mais experiente, embora tenha que provar sua qualidade, o que o de 2006 provou.
Em 2006, o senhor alertou para o Libertad (Paraguai), que foi uma das maiores surpresas da Libertadores. Quem pode surpreender em 2010 e quem são os maiores adversários do Inter?
Os clubes brasileiros, o Vélez Sarsfield, da Argentina, e os chilenos.
A mesma pergunta foi feita ao Fossati na sua entrevista de apresentação: Para se ganhar uma Libertadores é preciso ter um jogador diferenciado? Se, sim, quem, na sua opinião, pode ser este jogador no atual grupo?
A resposta e fácil: de nada adianta jogador diferenciado se o coletivo não for forte. O conjunto faz a diferença. O Fossati enfatizou isso na sua entrevista coletiva e faz questão de repetir sempre que pode que uma equipe vale pelo seu conjunto.
O senhor acredita que este ano pode ser o ano do Walter no Inter?
Esperamos que sim. O Walter, infelizmente, fez uma lesão séria, levou muito tempo para se recuperar e, agora, começando no Inter B, confiamos que todo o seu potencial desabroche.
No começo do ano o senhor teve uma conversa em particular com o Taison, que começou 2009 em alta, mas não acabou tão bem Que conversa o senhor terá com ele no começo desta temporada?
Isso pertence à intimidade do nosso vestiário.
A ambição do clube é maior, afirma Fernando Carvalho
Vice de futebol do Inter revela que atual time é mais experiente que o de 2006