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Adesão do Inter à LFF: Barcellos fala sobre os próximos passos e crê na união das ligas

Presidente do Inter disse que o clube pode abrir mão de receber o adiantamento de R$ 44 milhões proposto pelos investidores da LFF

Alessandro Barcellos participou de reunião no Rio de Janeiro nesta segunda-feira
Alessandro Barcellos participou de reunião no Rio de Janeiro nesta segunda-feira Foto : Inter / Reprodução / CP

A adesão do Inter à Liga Forte Futebol, chancelada pelo Conselho Deliberativo nesta segunda-feira, também foi uma vitória do presidente Alessandro Barcellos. Além de ter sido um dos principais articuladores da formação do bloco, o dirigente colorado sempre defendeu que a LFF era a melhor alternativa para todos os clubes, inclusive aqueles que estão na Libra. A seguir, ele fala sobre os próximos passos do processo, afirma ainda crer na união das ligas e disse que o Inter pode abrir mão de receber o adiantamento de R$ 44 milhões proposto pelos investidores da LFF.

Por que a LFF é a melhor opção para o Inter?

Nós tratamos desse assunto por um longo tempo, com todas as variáveis possíveis colocadas sobre a mesa. Fizemos uma análise extremamente técnica sobre as propostas, que são diferentes, e entendemos que a Liga Forte defende princípios de divisão de recursos e de governança inspirados nas melhores práticas utilizadas nas ligas europeias. É isso é referência para nós, que acreditamos no futebol brasileiro. E segundo, que no aspecto financeiro, a LFF tem uma proposta melhor e mais vantajosa para o Inter tanto a curto prazo, no que diz respeito a recursos que entrariam imediatamente nos cofres do clube, quanto a médio e longo prazo, uma vez que a lei do mandante e a garantia mínima, que hoje existe como obrigação dentro da Libra, nos colocam numa situação melhor.  Nos estudos que fizemos, e contratamos estudos para isso, há um equilíbrio em audiência e na venda de pacotes em dois blocos comerciais.

Quais são os próximos passos? O senhor tem uma autorização para que o Inter faça a adesão, mas não é uma imposição. Ou seja, o senhor pode, inclusive, negociar bases novas, mais vantajosas, ou usar essa aprovação no conselho para tentar unir as ligas.  Quais são os próximos passos que o Inter vai dar nessa direção?

Nós temos um contrato que foi submetido à análise dos conselheiros, que é um contrato já formalizado já com outros 26 clubes. Sobre este contrato é que nós vamos, agora autorizados pelos conselheiros, trabalhar para ter melhorias e condições superiores, sempre buscando o melhor para o clube. Mas, além disso, sabemos a importância do Inter nesse cenário e vamos trabalhar com a possibilidade de unificação das ligas. Nós já fizemos contatos hoje, durante o dia, para deixar claro que a nossa posição é pela unificação. Nós creditamos que isso é melhor para todo mundo a partir das experiências que analisamos no mundo inteiro. Essas experiências provam que divididos, todos os clubes perdem.  Então, a ideia é trabalhar nessa linha.

Sobre a formação de uma liga única... a sua esperança hoje é maior ou menor do que foi há algumas semanas?

Houve idas e vindas nesse processo. Tivemos mais próximos de estarmos juntos e, por alguma razão, não conseguimos fazer esse avanço final. Agora, com os blocos bem definidos, vamos retomar esse diálogo para buscar unificação. É claro que é preciso superar alguns estágios de negociação dos dois blocos, que são distintos. De um lado tem o contrato, onde inclusive alguns clubes já estão recebendo os valores. De outro lado, existe um memorando de entendimento que está sendo discutido para que se transforme em um contrato, para que se leve aos conselhos deliberativos para aprovação. Então, estamos falando de tempos diferentes. Por outro lado, estamos vendo manifestações, inclusive na imprensa, que ainda mostram um afastamento, como a ideia do Flamengo, em desacordo com o fundo, de ele também ser um comprador ao invés de um vendedor dos seus direitos. Então, tem muitas questões que ainda estão em aberto nesse cenário e que podem ajudar cada vez mais a unificar os blocos.

De uma forma bem prática, embora não seja essa a prioridade dessa negociação toda, é uma repercussão direta do que está acontecendo. Quando é que entra o dinheiro e para que ele vai ser usado? Afinal, são R$ 218 milhões....

Antes do recebimento, há um processo para fechamento da operação. São questões de governança que precisam ser discutidas. Isso deve demorar uns 60 dias. Há possibilidade de adiantar parte deste recurso, mas isso tem que dialogar com a nossa necessidade de caixa e também condições financeiras para esse adiantamento. E esse recurso é pago em três vezes: 50% na data do fechamento, 25% depois de 12 meses e os outros 25% depois de 18 meses.  Então em 18 meses, a partir da data do fechamento, esse recurso estará totalmente na conta do clube.  É esse o cronograma.

Mas os R$ 44 milhões do adiantamento podem entrar imediatamente?

Se o Inter optar por isso, sim. Mas é uma questão que nós vamos analisar ainda. Nós não temos esta definição tomada, uma vez que as condições desse valor nós vamos estudar se são vantajosas ou não para o clube. Temos a opção de esperar por 60 dias ou adiantar o valor.

Agora, vou pergunta que talvez o senhor não queira ou não saiba responder. No Inter, o tema adesão a uma liga gerou um debate de meses, algumas vezes civilizado, outras nem tanto, mas houve debate e discussão dentro do Conselho Deliberativo e também entre os torcedores. Por qual motivo isso não aconteceu no Grêmio? Por qual motivo os gremistas não debatem a adesão do clube à Libra ou a LFF?

Eu posso falar sobre o Inter... O Inter é um clube que, por sua formatação associativa e aberta, transpira democracia permanente. E há dentro do conselho hoje movimentos políticos organizados que discutem o clube, que constroem ideias e que debatem e que aprofundam os temas. E como esse é um tema importante para o futuro do clube, foi aprofundado pelos conselheiros. Acho, inclusive, que não poderia ser diferente. Nós fizemos mais de 20 reuniões, desde fevereiro, sobre isso. Então, houve um aprofundamento do debate em um plenário que tinha visões diferentes sobre o tema. Acho que o Inter talvez tenha sido o único clube do Brasil que fez esse debate de forma tão ampla, democrática e aberta. Os demais 26 clubes que aprovaram a Liga Forte de Futebol não tiveram esse debate.  E os clubes da Libra sequer fizeram. Nenhum fez.  Porque não tem ainda um contrato para ser deliberado pelos seus conselhos. Então, talvez esteja aí as respostas para a tua pergunta.