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Aod: “Não saio frustrado, deixei uma herança”

Ex-executivo chefe do Inter conversou com a reportagem do Correio do Povo

Ex-executivo chefe do Inter conversou com a reportagem do Correio do Povo
Ex-executivo chefe do Inter conversou com a reportagem do Correio do Povo Foto : Antonio Sobral / CP Memória
Aod Cunha foi vencido pelas amarras próprias do Inter, um clube grande e atrasado em muitos aspectos. Esbarrou numa estrutura arcaica e retrógrada, que dificulta avanços e ainda concede privilégios. Por isso, após menos de cinco meses de trabalho no Beira-Rio, deixa o clube. O ex-executivo chefe do Inter trabalha até o final do mês no clube. Depois, segue para Londres, onde apresentará um trabalho elaborado a pedido do Banco Mundial sobre a erradicação da fome e da pobreza na África.

Mas vai continuar dedicando algumas horas por mês da sua vida ao Inter, mas agora de forma não remunerada e apenas quando for consultado pelo presidente colorado, Giovanni Luigi.

Nesta quarta, Aod conversou com a reportagem do Correio do Povo. Confira a entrevista:

Correio do Povo: É frustrante sair tão cedo?
Aod Cunha:
Me jogo (sic) de cabeça nos desafios que recebo e acho que consegui fazer bastante coisa, apesar do pouco tempo. O esforço para a profissionalização já existia e continuará a existir sem mim, mas deve ser acelerado. Vou voltar para o setor privado. Saio antes do planejado, mas não estou frustrado. Deixei uma herança.

CP: Que herança é essa?
Aod:
Fui até onde era possível no processo de profissionalização. O futebol brasileiro vive um processo de “europeização”. Em pouco tempo, apenas cinco ou seis clubes do Brasil serão grandes, retendo para si grande parte dos recursos econômicos à disposição. Os clubes de Rio e São Paulo levam vantagem, principalmente o Corinthians e o Flamengo devido ao tamanho das suas torcidas. Por isso, o clubes gaúchos e mineiros devem agir rápido. Os mais rápidos e eficientes no processo de profissionalização levarão vantagem.

Aod iniciou seu trabalho em janeiro no Inter | Foto: Cristiano EstrelaCP: E o que mais deve ser feito?
Aod:
Há um mundo novo que se abre para o futebol. O Inter tem de mudar o seu modelo de financiamento e diminuir a dependência da venda de jogadores, até porque o mercado europeu já não investe tanto como há pouco tempo. Para ser um dos cinco ou seis grandes do Brasil, o Inter deve manter seus melhores jogadores, proporcionar bons espetáculos e, com isso, aumentar sua torcida no Brasil e no Exterior.

CP: Há futuro para outro executivo no Inter?
Aod:
Tomara que sim. Deve haver espaço para bons profissionais. Espero que o clube procure e encontre um outro profissional para o cargo que vou deixar vago. Talvez leve tempo, mas quando mais cedo, melhor para o clube. Trata-se de um diferencial no Brasil, que trará vantagem competitiva.

CP: Por que você está deixando o Inter? Houve algum preconceito ao seu cargo?
Aod:
É natural que se encontre alguns obstáculos. Um clube de futebol é lugar de paixões. Admito que ouvi aqui e ali alguma coisa, mas estive blindado pela direção. Acredito que os avanços na profissionalização precisam estar claros no estatuto. Consegui fazer o que era possível dentro da limitação.

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