Mas vai continuar dedicando algumas horas por mês da sua vida ao Inter, mas agora de forma não remunerada e apenas quando for consultado pelo presidente colorado, Giovanni Luigi.
Nesta quarta, Aod conversou com a reportagem do Correio do Povo. Confira a entrevista:
Correio do Povo: É frustrante sair tão cedo?
Aod Cunha: Me jogo (sic) de cabeça nos desafios que recebo e acho que consegui fazer bastante coisa, apesar do pouco tempo. O esforço para a profissionalização já existia e continuará a existir sem mim, mas deve ser acelerado. Vou voltar para o setor privado. Saio antes do planejado, mas não estou frustrado. Deixei uma herança.
CP: Que herança é essa?
Aod: Fui até onde era possível no processo de profissionalização. O futebol brasileiro vive um processo de “europeização”. Em pouco tempo, apenas cinco ou seis clubes do Brasil serão grandes, retendo para si grande parte dos recursos econômicos à disposição. Os clubes de Rio e São Paulo levam vantagem, principalmente o Corinthians e o Flamengo devido ao tamanho das suas torcidas. Por isso, o clubes gaúchos e mineiros devem agir rápido. Os mais rápidos e eficientes no processo de profissionalização levarão vantagem.
CP: E o que mais deve ser feito?Aod: Há um mundo novo que se abre para o futebol. O Inter tem de mudar o seu modelo de financiamento e diminuir a dependência da venda de jogadores, até porque o mercado europeu já não investe tanto como há pouco tempo. Para ser um dos cinco ou seis grandes do Brasil, o Inter deve manter seus melhores jogadores, proporcionar bons espetáculos e, com isso, aumentar sua torcida no Brasil e no Exterior.
CP: Há futuro para outro executivo no Inter?
Aod: Tomara que sim. Deve haver espaço para bons profissionais. Espero que o clube procure e encontre um outro profissional para o cargo que vou deixar vago. Talvez leve tempo, mas quando mais cedo, melhor para o clube. Trata-se de um diferencial no Brasil, que trará vantagem competitiva.
CP: Por que você está deixando o Inter? Houve algum preconceito ao seu cargo?
Aod: É natural que se encontre alguns obstáculos. Um clube de futebol é lugar de paixões. Admito que ouvi aqui e ali alguma coisa, mas estive blindado pela direção. Acredito que os avanços na profissionalização precisam estar claros no estatuto. Consegui fazer o que era possível dentro da limitação.