Preso à 17ª colocação do Campeonato Brasileiro com 42 pontos e com a possibilidade de rebaixamento cada vez mais iminente, o Inter está com os holofotes direcionados para si depois uma sucessão de declarações e entrevistas que não caíram bem nos ouvidos de torcedores de outros clubes do Brasil e de comentaristas. O movimento dos jogadores colorados, que se manifestaram contra a realização da última rodada do Brasileirão, colocou em dúvida a verdadeira intenção do clube em relação ao seu futuro, até porque o presidente Vitorio Piffero não deixou claro se aceitaria ver seu time rebaixado. “A proposta é não ter mais futebol em 2016. O que fazer, não sei”, resumiu o mandatário.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Ronaldo Piacente, classificou a coletiva do presidente colorado como uma manifestação descabida para evitar o queda do Inter. "Vejo como uma manifestação desesperada do presidente (Vitório) Píffero para não ser rebaixado", falou Piacente à Band RS. "No tapetão, o Inter não vai ganhar. Só se tiver uma prova robusta que prova a irregularidade (da inscrição do jogador Vitor Ramos). Ninguém vai desmoralizar o tribunal e o campeonato. Futebol se ganha dentro de campo", acrescentou.
O futebol brasileiro, enlutado pela tragédia ocorrida com a queda do avião da delegação da Chapecoense na noite da última segunda-feira, está paralisado até a próxima quarta-feira, quando será realizada a decisão da Copa do Brasil, e só deve encerrar os trabalhos no dia 11, data da última rodada do Brasileirão, ao menos até segunda ordem.
Paralelamente à cerimônia de despedida de quase todo o elenco da Chapecoense, a finalização do Campeonato Brasileiro é motivo de discussão na CBF, que está em dúvida sobre a realização da última rodada principalmente por conta do próprio time catarinense e pela posição do Atlético-MG, que através do seu presidente informou que não irá disputar o jogo em Santa Catarina, na Arena Condá.
Logo depois de definida o adiamento da última rodada do Brasileirão, o vice-presidente de futebol do Inter, Fernando Carvalho, lamentou a atitude da CBF e afirmou que o clube já "vive a sua tragédia particular": a possibilidade de cair para Série B. “Temos a nossa tragédia pessoal, que é fugir do rebaixamento. Esse adiamento de rodadas, certamente, deve ser prejudicial. Não estou nem falando nisso, porque a consternação é geral”, disse.
Pouco depois, porém, Carvalho refez a afirmação. Disse que ainda está consternado com o acidente, no qual perdeu uma série de amigos, e pediu desculpas. “Fui infeliz na declaração. A situação do Inter é terrível, mas tem reversão. Tem mais uma rodada, na qual temos chance de escapar e, no caso de não escaparmos, vamos voltar um dia. Não há comparação. Escolhi mal as palavras”, afirmou.
Críticas
A recentes atitudes e declarações do presidente do Inter foram criticadas pelo comentarista do jornal Correio do Povo Hiltor Mombach. "Não falou em tapetão, mas obviamente isto está por trás. O Inter gostaria de ficar na Série A e isto é justo. A forma como quer ficar é indecente", escreveu em seu blog.
A exemplo de Mombach, Juca Kfouri também reprovou a iniciativa colorada. "O Inter corre agora sério risco de cair pela primeira vez e as manobras que está fazendo para evitar a queda deixam ainda mais vermelha a torcida colorada. De vergonha", escreveu antes de concluir seu texto dizendo: "O Inter merece postura mais digna".
O ex-jogador do Inter e do Corinthians Dinei usou as redes sociais para postar um vídeo criticando a atitude dos jogadores do Inter. "Vocês não me representam. Jogadores do Inter querendo se aproveitar de uma situação falando que não querem jogar daqui há dez dias só para não cair. Vocês não são homens", disparou. A reportagem tentou contato com a direção do Inter, mas não obteve sucesso até o começo da tarde.
O Inter divulgou hoje uma nota em que explica que foram os atletas que tomaram a iniciativa de pedir o cancelamento da última rodada do Brasileirão. Confira na integra:
Os atletas profissionais do Sport Club Internacional manifestaram publicamente seu profundo sentimento de dor e solidariedade diante da fatalidade que atingiu a Chapecoense, o futebol brasileiro e toda a comunidade esportiva no mundo inteiro, e o fizeram em seu próprio nome, com o protagonismo que suas relações profissionais asseguram, num Clube que historicamente os respeita como os principais agentes do futebol, juntamente com o torcedor, sem discriminação de qualquer espécie.
A direção do Internacional compreendeu e respeitou a manifestação de seus profissionais, e o fez pela palavra de seu Presidente, mas em nenhum momento expressou qualquer proposta que afetasse a competição.
O Internacional reafirma seu compromisso com a legalidade e os fundamentos morais de toda competição, o que faz com o mesmo respeito que merecem os resultados de campo, sejam os desfavoráveis , como os mais recentes, sejam as imensas conquistas da sua história. Qualquer que seja o caminho a que nos destinem os próximos resultados, o Internacional o percorrerá com a sua invariável dignidade.
Atitudes e declarações transformam Inter em alvo de críticas no Brasil
Presidente STJD afirmou que clube não permanecerá na Série A no tapetão