As más atuações de Clayton Sampaio nas primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho passaram a repercutir além das quatro linhas no Beira-Rio. O desempenho do zagueiro tem gerado desconforto dentro da cúpula do futebol do Inter, especialmente entre profissionais que seguem no clube e que hoje convivem com as consequências de uma contratação considerada, internamente, um erro de avaliação.
O principal ponto de incômodo está no vínculo firmado com o jogador. Clayton tem contrato com o Inter até dezembro de 2028, o que amplia o impacto esportivo e financeiro da decisão tomada no segundo semestre do ano passado. A contratação foi anunciada em 30 de agosto de 2024, quando o clube adquiriu 80% dos direitos econômicos do atleta por 1,2 milhão de euros junto ao AVS, da segunda divisão portuguesa.
O negócio foi fechado em um momento de transição no departamento de futebol. À época, o vice-presidente José Olavo Bisol havia assumido o cargo havia menos de um mês. Já o então diretor esportivo Andrés D’Alessandro e o executivo André Mazzuco estavam no clube havia poucos dias. Segundo relatos internos, a indicação do jogador partiu de Everson Rocha, então coordenador do Centro de Análise e Prospecção de Atletas (Capa) do Inter.
Com passagens por Botafogo e Athletico-PR, Everson Rocha permaneceu no clube entre abril de 2024 e março de 2025. O período coincide com a estruturação de decisões estratégicas que hoje são reavaliadas nos bastidores, especialmente diante do rendimento apresentado por Clayton. Hoje, Everson Rocha está trabalhando na base do Coritiba. D’Alessandro, Bisol e Mazzuco deixaram o Inter no final do ano passado, após o time colorado lutar até a última rodada contra o rebaixamento.
Clayton Sampaio disputou 13 partidas na temporada de 2025. Neste início de ano, já entrou em campo duas vezes. No último domingo, na derrota para o Ypiranga, no Colosso da Lagoa, em Erechim, Clayton cometeu um pênalti considerado injustificável nos acréscimos da partida, lance que resultou no gol da vitória da equipe da casa de virada por 2 a 1 e ampliou a pressão sobre o jogador.