O Conselho do Inter reúne-se na segunda-feira para avaliar as contas referentes a 2015. Em geral, são números positivos, turbinados pela adesão do clube ao Profut, uma redução de despesas e um crescimento de receitas. A recomendação do Conselho Fiscal é pela aprovação das contas sem ressalvas. Porém, tal decisão não ocorreu por unanimidade. Dois integrantes do Conselho Fiscal, entre eles o presidente do órgão, Geraldo Da Camino, apontam ressalvas.
• Inter divulga nota oficial sobre prestação de contas
O outro é Lino Kiesling, o único integrante do Conselho Fiscal que não milita em um dos grupos políticos que dão sustentação à gestão do presidente Vitório Piffero. Tanto Da Camino como Kiesling baseiam a sua posição em um relatório elaborado por uma empresa de auditoria que aponta algumas restrições à forma como o clube administra (concede e cobra) adiantamentos de recursos. Tais antecipações por vezes não têm a prestação de contas dentro de um prazo razoável, ficando, em algumas ocasiões, por até quatro meses descobertos.
O Correio do Povo teve acesso ao documento. Ao longo do dia, conversou com dirigentes do Inter e com integrantes do Conselho Fiscal, que evitaram comentar o teor do relatório. “Não posso comentar antes de expor ao Conselho Deliberativo, o que ocorrerá na próxima segunda-feira. De qualquer forma, lamento que um documento interno tenha vazado”, observou Da Camino. Kiesling também foi procurado, mas disse que não falaria.
Os dirigentes do Inter ficaram indignados com o vazamento do relatório, que seria de uso exclusivo do Conselho Fiscal. “Trata-se de um ato político, um vazamento seletivo. São pessoas que não estão contentes com o excelente resultado financeiro que tivemos em 2015, quando o clube apresentou um superávit de R$ 27,5 milhões”, afirma o diretor de transparência e controladoria do Inter, Sandro Farias.
Alguns conselheiros contestam o valor do superávit. Segundo eles, o balanço positivo só existiu por causa do Profut, que renegociou as dívidas federais dos clubes de futebol. O programa desonerou o Inter de cerca de R$ 47 milhões, melhorando o resultado. “Não fiz essa conta. Ela não faz sentido”, finaliza Farias.
Auditoria aponta ressalva às contas do Inter
Documento, ao qual CP teve acesso, aponta descontrole na concessão de adiantamentos