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Cerro é o inimigo modesto do Inter na Libertadores

Clube uruguaio quer surpreender no grupo do Colorado

Clube uruguaio quer surpreender no grupo do Colorado
Clube uruguaio quer surpreender no grupo do Colorado Foto : Tiago Medina / Especial /CP
Em sua sala no subsolo do Palácio Legislativo do Uruguai, em Montevidéu, o presidente do Club Atletico Cerro, Miguel Sejas, recebeu a reportagem do Correio do Povo. Sejas preside a equipe que será o terceiro adversário do Internacional na primeira fase da Libertadores da América.

Fundado em 1922, o Cerro está longe de ter os holofotes dos conterrâneos Nacional e Peñarol. Mesmo que, na bola, o clube demonstre alguma regularidade: disputa a primeira divisão há 50 anos de forma ininterrupta. As duas vezes em que foi rebaixado, aliás, só aconteceram devido a punições. ''Levando em conta os resultados esportivos, apenas Cerro, Nacional e Peñarol nunca caíram'', salienta o dirigente.

No entanto, data apenas de 2009 a maior conquista do Cerro: a Liguilla. O torneio, disputado entre os seis primeiros do certame uruguaio, garantiu ao campeão uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores da América, pela segunda vez na sua história. E é aí que o clube acabou surgindo no caminho dos colorados.

Assim como o Inter, o Cerro também tem uma origem humilde. Porém, as coincidências terminam já neste primeiro tópico. Os uruguaios vivem uma realidade financeira completamente diferente dos gaúchos. O orçamento de 60 mil dólares mensais o coloca no rol de times com a folha salarial mais baixa da competição que garante o vencedor a oportunidade de disputar o Mundial Interclubes da Fifa contra os milionários clubes europeus.

Diante desse abismo, contudo, Sejas não se abate: ''O Inter é uma grande equipe, uma grande instituição, que nós respeitamos muitíssimo. Mas, assim como os outros uruguaios, vamos tentar mostrar em campo que essa diferença pode ser superada'', propõe. Na visão dele, os colorados são os adversários mais fortes, e logo, favoritos do grupo 5. A chave terá ainda Deportivo Quito e o vencedor do confronto entre Newll’ s Old Boys e Emelec.

O presidente faz algumas apostas em seu time para a Libertadores. Entre elas, o capitão Richard Pessellero, meio-campo, bastante identificado com o clube pelo qual disputou a maior parte de sua carreira. Recém chegado da Ucrânia, o atacante Alejandro Molo desembarcou especialmente como reforço para defender as cores azul e branca nos gramados da América Latina.

Essas são as esperanças, também, do único funcionário do Cerro que trabalhava na parte externa do estádio Luis Tróccoli, na quinta-feira pela manhã. Ao notar a presença da imprensa gaúcha, postou-se a exaltar seu time de coração e prometeu: ''Nós vamos acabar com o Fossati''.

O grupo para a disputa será apresentado oficialmente à imprensa hoje, no Museu do Futebol do estádio Centenário, onde descansam taças e recortes das maiores conquistas uruguaias, como as Libertadores de Nacional e Peñarol, além, claro, do troféu conquistado pela Celeste Olímpica diante de 200 mil pessoas no Maracanã, na Copa do Mundo de 1950. Com os compromissos internacionais agendados para 2010, o clube contará até mesmo com um novo fornecedor de material esportivo para esta temporada.