O conselheiro Igor Peres Dummer já reuniu 4,8 mil assinaturas de associados do Inter favoráveis à abertura de um processo de afastamento do presidente Alessandro Barcellos e dos demais integrantes do Conselho de Gestão. Apesar do volume expressivo de apoios, o conselheiro não confirma se fará a entrega formal da petição nesta segunda-feira ao presidente do Conselho Deliberativo, Gustavo Juchem, mantendo indefinido o próximo passo do movimento.
Atualmente afastado do grupo político Povo do Clube, Dummer iniciou a coleta de assinaturas na manhã de sexta-feira, por meio de uma plataforma digital, com o objetivo de protocolar um pedido amparado no estatuto do clube. O número mínimo exigido para esse tipo de iniciativa é de pouco mais de mil assinaturas, o equivalente a 1/25 do total de votantes da última eleição presidencial, patamar superado rapidamente pelo conselheiro.
Procurado, Gustavo Juchem evita se manifestar sobre o cenário político, embora reconheça que o estatuto colorado prevê a possibilidade de afastamento dos dirigentes. O texto estatutário, no entanto, é considerado genérico, pois não estabelece um rito detalhado para a destituição. A única previsão clara é a convocação de uma assembleia geral dos associados, que teria a responsabilidade de deliberar sobre a permanência ou não de Alessandro Barcellos e de sua equipe.
Do ponto de vista jurídico e político, a iniciativa é considerada viável. Qualquer associado pode solicitar a abertura de um processo de destituição, desde que apresente o número mínimo de assinaturas previsto no estatuto. Uma vez atingido esse requisito, cabe ao Conselho Deliberativo analisar o pedido e, se entender que há fundamento, convocar uma assembleia para que os sócios decidam, em votação direta, os rumos do Conselho de Gestão.
Caso a saída seja aprovada pelos associados, o próprio Conselho Deliberativo deverá escolher, entre seus integrantes, um presidente para cumprir um mandato-tampão até o fim do atual período administrativo. A eleição regular, programada para o final de 2026, não sofre alteração. Alessandro Barcellos, que já cumpre seu segundo mandato, não poderá concorrer novamente.