Praticamente três anos depois de uma decisão que gerou debates internos e alguma desconfiança externa, o Inter começa a olhar para os números e concluir que, pelo menos até aqui, a aposta valeu a pena. A escolha de integrar a Futebol Forte União (FFU), em vez de aderir à Libra, passou do campo das projeções para o das evidências contábeis — e o balanço financeiro começa a confirmar o que antes era apenas promessa.
Internamente, no Inter, há comemoração discreta, mas evidente. Os números indicam que o modelo da FFU tem rendido receitas maiores aos clubes filiados na comparação com a liga concorrente, onde está o Grêmio. E a diferença aparece de forma clara quando se observa a evolução das receitas do clube obtidas com direitos de TV e placas ao redor do gramado em relação ao seu rival histórico.
A vantagem financeira, aliás, estava no outro lado. Em 2024, antes dos primeiros contratos tanto da Libra quanto da FFU, o Grêmio arrecadou cerca de R$ 141 milhões em receitas ligadas a direitos de transmissão e placas publicitárias, contra R$ 119 milhões do Inter. Ou seja, houve uma diferença de R$ 22 milhões favorável aos tricolores. Um ano depois, o cenário virou de cabeça para baixo.
Com o salto nas receitas proporcionado pela FFU, o Inter, mesmo tendo ficado na 16ª posição na tabela (a colocação é uma das variáveis que definem o valor recebido pelo clube) arrecadou R$ 190 milhões em 2025, enquanto o Grêmio ficou na casa de R$ 145 milhões, mesmo ficando na nona posição. Ou seja, uma vantagem de aproximadamente R$ 45 milhões.
Mesmo considerando a antecipação feita pelo clube colorado, a vantagem permanece. Em 2024, o Inter vendeu 10% de seus direitos comerciais por 50 anos por R$ 109 milhões, em um acordo ligado à estrutura financeira da liga. Ainda assim, a conta continua favorável: descontados os 10%, os R$ 190 milhões projetados para 2025 se transformam em cerca de R$ 171 milhões líquidos, valor que segue superior ao do rival.
Na prática, a virada representa uma mudança de R$ 67 milhões em apenas um ano na comparação entre os dois clubes. O impacto também aparece em uma perspectiva mais ampla. Considerando o ciclo completo de contratos entre 2025 e 2029, a estimativa interna é de que o Inter acumule mais de R$ 225 milhões a mais em receitas do que o Grêmio.
Além disso, os contratos da FFU são reajustados automaticamente em 10% ao ano entre 2025 e 2029, mais correção monetária. Os acordos da Libra preveem apenas o reajuste da inflação. Ou seja, o desequilíbrio em favor do Inter tente a aumentar até o final dos atuais contratos.
Curiosamente, os números não passaram despercebidos no lado azul. O Grêmio, que participou da fundação da Libra, estuda agora uma possível migração para a FFU. O tema deve chegar ao Conselho Deliberativo gremista nos próximos dias.
A eventual mudança, porém, tem uma ironia financeira embutida. Mesmo que o clube decida trocar de liga, o contrato atual com a Libra — válido até 2029 — não deve ser rompido. Na prática, isso significa que o Grêmio continuaria recebendo valores do acordo atual até 2029.