O caso das notas contestadas, revelado em matéria exclusiva do Correio do Povo em sua edição de quarta-feira, terá desdobramentos em breve. Na noite de quarta-feira, o presidente do Conselho Deliberativo (CD), Sérgio Juchem, confirmou que o assunto é grave e deve ser analisado nos próximos dias pelos conselheiros. A expectativa é marcar uma reunião ainda em agosto para dar conhecimento a eles sobre os fatos apontados pela Due Diligence encomendada pela atual gestão para averiguar problemas administrativos e financeiros ocorridos entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016, quando o clube tinha Vitorio Piffero como presidente.
Segundo Juchem, vários conselheiros se manifestam nesse sentido desde que as contas de 2016 foram reprovadas pelo CD. “É uma matéria relevante para o clube. Estávamos todos esperando pela conclusão dos trabalhos desta auditoria. Agora, vamos analisar os desdobramentos possíveis para o caso”, disse. De acordo com ele, se a due diligence apontar provas, o caso pode chegar à esfera criminal.
Poucos dirigentes tiveram acesso ao relatório elaborado pela Ernst & Young após quase oito meses de trabalho dentro do Beira-Rio. Apenas integrantes do Conselho de Gestão e outros pouquíssimos dirigentes conheceram o material, que foi apresentado em uma reunião na noite de segunda-feira. “Não recebemos, mas espero ter acesso em breve. O próprio Conselho Fiscal tinha apontado a necessidade de ser feita uma auditoria nas contas deste período em seus relatórios”, afirmou ontem o presidente do Conselho Fiscal, Geraldo Da Camino.
A princípio, em virtude da gravidade dos fatos revelados pela due diligence — que é um tipo de auditoria um pouco mais profunda e minuciosa —, os atuais dirigentes do clube não devem divulgar o relatório publicamente. Até mesmo os conselheiros devem conhecer o teor do material somente na reunião que será marcada para esta finalidade. Nesta mesma noite, os conselheiros devem decidir o que fazer com as informações.
Nem o presidente Marcelo Medeiros nem os demais dirigentes que tiveram acesso aos dados falam sobre o assunto. O caso é tratado com extremo zelo no clube.
Pagamentos suspeitos: Estudo mostra vários problemas
A due diligenge — encomendada pelo Inter, sob orientação do Conselho Fiscal, e realizada pela Ernst & Youn — encontrou vários problemas administrativos e financeiros no clube nos anos de 2015 e 2016. Conforme antecipou o CP de quarta-feira, um deles é o pagamento a cinco empresas, todas do ramo da construção civil, de valores superiores a R$ 9 milhões dentro do período avaliado. No clube, entretanto, não há obras que justifiquem tamanho investimento.
Além disso, as cinco empresas apresentam dados semelhantes, como o telefone, por exemplo, e foram clientes do mesmo escritório de contabilidade. Uma delas apresenta como sede um apartamento de cobertura em Torres, no Litoral Norte.
Além disso, a Ernst & Young comprovou que era comum o pagamento de adiantamentos, de valores bastante altos, a dirigentes na “boca do caixa” e em dinheiro vivo, procedimento que já fora, inclusive, apontado pelo Conselho Fiscal como questionável. Fatos de outras áreas do clube também foram analisados.
Conselho do Inter debaterá caso das notas contestadas
Detalhes da auditoria especial serão expostos aos conselheiros