Inter

Conselho do Inter debaterá caso das notas contestadas

Detalhes da auditoria especial serão expostos aos conselheiros

Estudo aponta que R$ 9 milhões foram pagos para cinco empresas por obras não aparentes no Inter em 2015-16
Estudo aponta que R$ 9 milhões foram pagos para cinco empresas por obras não aparentes no Inter em 2015-16 Foto : Paulo Nunes / CP Memória
O caso das notas contestadas, revelado em matéria exclusiva do Correio do Povo em sua edição de quarta-feira, terá desdobramentos em breve. Na noite de quarta-feira, o presidente do Conselho Deliberativo (CD), Sérgio Juchem, confirmou que o assunto é grave e deve ser analisado nos próximos dias pelos conselheiros. A expectativa é marcar uma reunião ainda em agosto para dar conhecimento a eles sobre os fatos apontados pela Due Diligence encomendada pela atual gestão para averiguar problemas administrativos e financeiros ocorridos entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016, quando o clube tinha Vitorio Piffero como presidente.

Segundo Juchem, vários conselheiros se manifestam nesse sentido desde que as contas de 2016 foram reprovadas pelo CD. “É uma matéria relevante para o clube. Estávamos todos esperando pela conclusão dos trabalhos desta auditoria. Agora, vamos analisar os desdobramentos possíveis para o caso”, disse. De acordo com ele, se a due diligence apontar provas, o caso pode chegar à esfera criminal.

Poucos dirigentes tiveram acesso ao relatório elaborado pela Ernst & Young após quase oito meses de trabalho dentro do Beira-Rio. Apenas integrantes do Conselho de Gestão e outros pouquíssimos dirigentes conheceram o material, que foi apresentado em uma reunião na noite de segunda-feira. “Não recebemos, mas espero ter acesso em breve. O próprio Conselho Fiscal tinha apontado a necessidade de ser feita uma auditoria nas contas deste período em seus relatórios”, afirmou ontem o presidente do Conselho Fiscal, Geraldo Da Camino.

A princípio, em virtude da gravidade dos fatos revelados pela due diligence — que é um tipo de auditoria um pouco mais profunda e minuciosa —, os atuais dirigentes do clube não devem divulgar o relatório publicamente. Até mesmo os conselheiros devem conhecer o teor do material somente na reunião que será marcada para esta finalidade. Nesta mesma noite, os conselheiros devem decidir o que fazer com as informações.

Nem o presidente Marcelo Medeiros nem os demais dirigentes que tiveram acesso aos dados falam sobre o assunto. O caso é tratado com extremo zelo no clube.

Pagamentos suspeitos: Estudo mostra vários problemas

A due diligenge — encomendada pelo Inter, sob orientação do Conselho Fiscal, e realizada pela Ernst & Youn — encontrou vários problemas administrativos e financeiros no clube nos anos de 2015 e 2016. Conforme antecipou o CP de quarta-feira, um deles é o pagamento a cinco empresas, todas do ramo da construção civil, de valores superiores a R$ 9 milhões dentro do período avaliado. No clube, entretanto, não há obras que justifiquem tamanho investimento.
Além disso, as cinco empresas apresentam dados semelhantes, como o telefone, por exemplo, e foram clientes do mesmo escritório de contabilidade. Uma delas apresenta como sede um apartamento de cobertura em Torres, no Litoral Norte.

Além disso, a Ernst & Young comprovou que era comum o pagamento de adiantamentos, de valores bastante altos, a dirigentes na “boca do caixa” e em dinheiro vivo, procedimento que já fora, inclusive, apontado pelo Conselho Fiscal como questionável. Fatos de outras áreas do clube também foram analisados.