O Conselho Deliberativo do Inter se reúne na noite desta segunda-feira para analisar uma proposta de mudança no estatuto do clube que, além de alterar os ritos eleitorais, impõe maiores restrições a uma eventual transformação do Inter em SAF. O texto também prevê a redução do número de conselheiros e estabelece regras para a adoção de um terceiro uniforme. No entanto, a tendência é de que a proposta não obtenha maioria e seja rejeitada.
A reforma estatutária foi elaborada pela Comissão de Assuntos Estatutários do Conselho, a partir de sugestões encaminhadas por associados. O documento, que modifica cerca de 60% do texto atual, aprovado em 2019, não deve alcançar o número de votos necessários para sua aprovação.
A votação será dividida em etapas. Primeiro, os conselheiros decidirão sobre o texto-base. Caso ele seja aprovado, serão analisados três destaques específicos: um que reduz o número de conselheiros de 300 para 260, outro que amplia de dois para três o número de candidatos habilitados ao segundo turno da eleição para presidente — hoje restrito a apenas dois nomes — e, por fim, um que cria uma diferenciação no peso dos votos dos associados conforme o tempo de filiação ao clube.
O texto-base traz ainda alterações polêmicas em temas sensíveis:
- Transição para SAF
De acordo com a proposta, o Inter só poderá se tornar uma SAF mediante aprovação de dois terços do Conselho Deliberativo e, posteriormente, de dois terços dos associados, em dois turnos sucessivos em cada instância. Além disso, o documento veda que membros do Conselho de Gestão, dirigentes estatutários ou executivos assumam cargos ou tenham controle da SAF por cinco anos após deixarem o clube.
- Uso de um terceiro uniforme
O novo estatuto também regulamenta o uso de um terceiro uniforme, permitindo liberdade criativa, mas proibindo combinações de cores que remetam à identidade de clubes rivais. A medida, considerada por alguns anacrônica, pode limitar as possibilidades de marketing e inovação visual do Inter.
- Tempo mínimo de associação para votar
Outra mudança prevista é o aumento do tempo mínimo de associação para que o sócio tenha direito a voto. Atualmente de um ano, o prazo passaria para três anos, tanto nas eleições presidenciais quanto nas renovações do Conselho Deliberativo.