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Conselho Fiscal aponta ressalvas nas contas do Inter de 2010

Auditoria indicou falta de rigor nos gastos durante a gestão de Piffero

O último acontecimento oficial da gestão de Vitorio Piffero na presidência do Inter ocorrerá na próxima segunda-feira. E, ao contrário dos quatro anos em que comandou os destinos do clube sob um mar de tranquilidade política e de vitórias, o desfecho promete ser conturbado. Neste dia, o Conselho Deliberativo reúne-se para apreciar e aprovar - ou não - as contas de 2010, o derradeiro ano de Piffero no clube.

A notícia nova é o Parecer do Conselho Fiscal (CF), remetido para a residência dos mais de 300 conselheiros nos últimos dias. As 12 páginas do relatório, elaborado a partir de uma auditoria externa contratada pelo clube a pedido dos integrantes do CF, apontam falhas administrativas, equívocos contábeis e falta de rigor na administração dos recursos do clube, como o pagamento em duplicidade de uma mesma fatura de valor R$ 362.250,00 em novembro.

Além disso, o documento mostra que "o resultado negativo efetivo da gestão, no exercício de 2010, atingiu o elevadíssimo montante de R$ 42.945.244,85", considerando o valor amealhado com a venda do estádio Eucaliptos. Lembrando que o balanço publicado em abril no site do clube, a pedido dos antigos dirigentes e em respeito à Lei da Moralização do Futebol, apontava um déficit de R$ 2,6 milhões.

"Não tenho medo da não aprovação das contas. Mas estou decepcionado com a forma que o Conselho Fiscal mudou seus critérios de avaliação. Esse tipo de atitude só denigre a imagem do clube", afirma o ex-presidente Vitorio Piffero.

Uma das ressalvas principais levantadas pelo Conselho Fiscal refere-se ao uso dos cartões de crédito corporativos. O assunto, levantado em matéria do CP em 27 de abril, deve ser debatido durante a reunião da próxima segunda-feira, inclusive com a provável divulgação de uma lista dos cartões e de seus respectivos gastos.

O Conselho Fiscal não condena o uso do recurso - útil, principalmente, nas viagens da delegação para jogos - mas reitera a necessidade do cumprimento de um ritual mínimo de comprovação das despesas, conforme o trecho a seguir, retirado da página 5 do relatório:

"O acurado exame procedido pelos auditores contratados pelo Conselho Fiscal em relação a esse item (cartões) demonstrou que os problemas de controle de despesas do clube não se devem à boa ou à má utilização dos referidos cartões, mas sim à forma como foram feitas as prestações de contas de tais desembolsos."

Apesar das 11 observações apontadas no relatório e, principalmente, da "ressalva de que, para este Conselho Fiscal, o déficit do exercício foi de R$ 21.256.542,28 e não de R$ 2.636. 528,50 (conforme antes demonstrado)", os integrantes do CF aprovam a apreciação das contas de 2010 na reunião de segunda-feira. E tudo indica que elas serão aprovadas sem qualquer problema pelos conselheiros.

"Não vejo motivo algum para as contas não serem aprovadas. Vai haver um debate, mas é normal em um clube transparente e democrático como o Inter", afirmou o 2 vice-presidente do Inter na gestão de Piffero, Mário Sérgio Martins. Era ele o dirigente responsável pela área contábil do clube nos último anos.

Segundo ele, as contas do clube são elaboradas da mesma forma há muito tempo. "Recebi o parecer do Conselho Fiscal e o analisei com tranquilidade. Os critérios contábeis usados pela administração são os mesmos há 12 anos. Não existe qualquer motivo para mudá-los agora. O Conselho Fiscal é que mudou a forma de entendimento deles. Não sei o motivo", finalizou Mário Sérgio Martins. 

Parecer

Acesse o conteúdo completo do parecer do Conselho Fiscal através do blog do editor de Esportes do Correio do Povo, Hiltor  Mombach.


Auditoria apontou equívocos e falta de rigor nos gastos do clube no último ano de Piffero | Foto: Reprodução / CP


As informações são do repórter Fabrício Falkowski e do editor Hiltor Mombach

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