"Foi uma reunião extremamente técnica. Tivemos o parecer de um conselho fiscal, com auditoria contratada por ele contrário da auditoria do clube", revelou Piffero, na saída da reunião. Ele ainda voltou a descartar abusos de gastos com os cartões corporativos do clube: "99% da conta é futebol. Todas as refeição e diárias são pagas lá. Mas isso foi devidamente esclarecido. São despesas normais", disse Piffero.
O ex-dirigente mostrou certa mágoa pela crise gerada à sua volta: "A gente não gosta, como dirigente, de sofrer este tipo de desconfiança, mas é inerente ao futebol".
Na semana passada, o Correio do Povo teve acesso exclusivo ao relatório do último ano da gestão de Piffero, o qual apontava um déficit superior a R$ 20 milhões no ano passado (Veja o documento abaixo).
Reunião começou com apreensão
Antes do início da assembleia, havia um clima de apreensão. Reunidos em grupos, os conselheiros discutiam os números do quarto e último ano da gestão de Vitorio Piffero na presidência do Inter. Quando a reunião começou, porém, as explicações do ex-presidente e, principalmente, de Mário Sérgio Martins, seu vice-presidente, foram convincentes. E, enfim, as contas referentes a 2010 foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo, mas com ressalvas.
As questões levantadas pelo relatório do Conselho Fiscal (CF) e publicadas com exclusividade pelo CP na última semana não passaram ao largo da discussão. Elas ficaram como uma mácula à gestão de Piffero. O tema central do debate entre os 226 conselheiros presentes, porém, foi o tamanho do déficit. Para o CF, o rombo foi de R$ 21,2 milhões. Para Piffero, R$ 2,6 milhões. Venceu a tese do ex-presidente. “Nunca tive dúvida que as contas seriam aprovadas”, disse Piffero.
O movimento Convergência Colorada teve papel importante. Primeiro, votou unido, alcançando 70 votos, pela rejeição das contas. Depois, mesmo derrotado na primeira votação, marcou posição em favor das ressalvas. Depois, 102 conselheiros aprovaram as contas, mas com as ressalvas apontadas pelo Conselho Fiscal.