A situação é tão grave que um grupo de conselheiros protocolou ontem um pedido de reunião extraordinária do Conselho Deliberativo com o objetivo único de debater a saúde financeira da instituição. "Recebi hoje (ontem) o pedido. Entendo que a solicitação é legítima e vou atendê-la", confirmou o presidente do CD, Ibsen Pinheiro. Ele tem prazo de dez dias para marcar a reunião, que o próprio Ibsen antecipa que deve ocorrer durante novembro.
O pedido foi assinado por 30 conselheiros, todos ligados ao Convergência Colorada, um movimento político de oposição ao grupo de Giovanni Luigi. "O orçamento está estourado, e os conselheiros gostariam de receber explicações. O fórum ideal para este debate é o Conselho Deliberativo", observa o coordenador-geral do Convergência, Fabrício Berto.
Folha de cara
O dinheiro não fez bem ao Inter. Pelo menos não na atual temporada. Afinal, neste ano, quando o clube vem gastando cifras recordes, o time faz a pior campanha desde 2003, quando o Brasileirão ganhou sua primeira versão por pontos corridos.
Somente para manter o seu departamento de futebol, incluindo logística, salários de jogadores e da comissão técnica, o clube desembolsa R$ 16 milhões por mês. "O desempenho em campo é inversamente proporcional aos gastos. Sabemos que o futebol não é uma ciência exata, mas há um nítido descompasso aí", afirma o conselheiro Fabrício Berto. A folha de pagamento do Inter é mais cara que a de qualquer um dos atuais cinco primeiros colocados no Brasileirão.