Há 11 anos, o nome de um meia-atacante ficou gravado na mente do torcedor colorado. Em 2003, Grêmio e Inter realizaram uma partida que ficou marcada pela quebra do jejum de vitórias do time vermelho em clássicos. O clube estava a 13 jogos sem vencer o arquirrival até que Daniel Carvalho determinou o fim de um ciclo de sofrimento. Agora, as duas equipes vivem situações opostas e o ex-jogador pede um Inter sem medo para manter a hegemonia recente no Gre-Nal.
"Quando se trata de um Gre-Nal, tu nem pensa em insegurança ou receio. Naquele clássico (de 2003), nós tínhamos jogadores muito jovens. Eu tinha 19 anos. Enfrentamos um Grêmio muito mais experiente, com Danrlei, Anderson Lima e Roger. Eu costumo pensar que nesta hora vale mais acreditar que tu podes ser a estrela do jogo do que o cara que falha no clássico. Nós encaramos aquele jogo assim, talvez até de uma forma descompromissada", disse nesta quarta-feira em entrevista ao site do Correio do Povo.
E para Daniel Carvalho aquele Gre-Nal de 2003 é guardado até hoje com carinho. A partir dali, o então meia-atacante conheceu o verdadeiro sentido do clássico para quem é protagonista. "Nos dias que antecedem o jogo existe uma certa pressão, até porque é uma partida que muda tudo, até o clima da cidade. Quando tu ganhas um Gre-Nal, tu é lembrado até hoje. Às vezes, eu sou parado na rua por pessoas que conseguem dizer em detalhes onde estavam quando eu fiz o gol da vitória no Olímpico. Pode ter certeza que o clássico de domingo será lembrado daqui a 15 anos", afirmou.
Daniel Carvalho confessou que costumava imaginar uma goleada do Inter sobre o Grêmio sempre quando o clássico se aproximava. "Eu vivi do futebol e a gente até confunde o sentimento do jogador com o do torcedor. Hoje em dia eu penso sempre em um jogo mais equilibrado. Se é para arriscar um palpite eu diria que vai ser 1 a 0 para o Inter", declarou antes de mencionar os amigos Barcos e Luiz Felipe Scolari, com quem trabalhou no Palmeiras.
O ex-meia do Inter acredita que o Gre-Nal será baseado na dedicação de cada equipe. Daniel Carvalho explicou que a disputa por uma vaga na Libertadores acirra ainda mais o clássico. "Acho que não teremos um jogo em que a técnica vai prevalecer. Tudo dependerá do esforço de cada um. É uma briga pelo G4 e, se considerarmos as últimas atuações, o Inter tem plenas condições de vencer, mas é preciso lembrar da defesa do Grêmio, que está muito bem", salientou.
Um lugarzinho para pensar as jogadas
Se estivesse em campo no domingo, Daniel Carvalho gostaria apenas de ter espaço para "pensar o jogo". "Não tenho preferência por enfrentar o Pará ou Zé Roberto. Gosto mesmo de estar livre para pensar o jogo", disse entre risos. "Não precisaria correr muito. Aliás, meu jogo sempre foi esse. Eu investia muito mais na inteligência do que na velocidade", recordou.
Daniel Carvalho deixou saudades no futebol, mas prepara o herdeiro para uma possível carreira de jogador. Aos seis anos, o filho João Paulo só pensa no esporte, assim como o pai. Zeloso, Daniel promete deixar a escolha por conta do pequeno. "A minha família inteira jogou futsal aqui em Pelotas. Quando estive no Beira-Rio, ele (João Paulo) só queria saber de futebol e no videogame é assim também. Ele quis tirar foto com o Nilmar e com o Alex, mas vamos ver. Ele é canhoto, mas o problemas é que canhoto ou é muito bom ou é muito ruim", concluiu.
Daniel Carvalho pede Inter sem medo para manter hegemonia no Gre-Nal
Ex-meia recordou clássico de 2003 em que acabou com jejum de vitórias do Colorado