Horas após o jogo Inter e Ypiranga, ainda durante a madrugada dessa quinta-feira, Fabrício foi até o Aeroporto Salgado Filho e, de lá, partiu para São Paulo. Voltará somente na segunda-feira, quando seu destino estará definido. Em Porto Alegre, no entanto, ficaram os problemas. Divididos, os dirigentes colorados não se definiram sobre a medida correta a ser tomada, mas concordam em um ponto: Fabrício não tem mais condições de jogar pelo Inter.
A atitude do jogador, que fez gestos obscenos e jogou a camisa do Inter no chão diante de 12 mil torcedores no estádio Beira-Rio, é unanimemente considerada grave demais. Alguns dirigentes, porém, defendem que o clube preserve o jogador para tentar vendê-lo a algum outro clube. Outros desejam a rescisão imediata do contrato de Fabrício, demitindo-o por justa causa — ou seja, sem direito a indenizações.
O presidente Vitorio Piffero deve anunciar na segunda-feira que Fabrício treinará em separado até que o clube encontre um destino para ele. “Apesar da raiva que todos estamos sentindo dele neste momento, tentar vendê-lo para outro clube, colocando algum recurso nos cofres até para trazer um substituto, é a decisão mais racional que podemos tomar”, ressalta um dirigente ligado a Piffero. Até segunda-feira, inclusive, existe a chance de já haver alguma negociação em andamento. Durante o dia de ontem, os dirigentes colorados receberam sondagens de três clubes brasileiros, interessados em contar com Fabrício a partir do Campeonato Brasileiro.
Os jogadores, porém, estão sugerindo a permanência de Fabrício junto à direção. D’Alessandro confirmou nessa quinta que já conversou com Fabrício e disse que ele está arrependido de sua atitude durante o jogo. “Vamos fazer o possível para que ele fique. Gostamos muito dele. Ele se doa ao máximo e muitas vezes já jogou com dores ou machucado. Não atrapalha, não incomoda, chega no horário e trabalha muito”, afirma D’Alessandro. Ele lembra que a decisão não passa pelos jogadores: “Vamos fazer esse pedido, mas é o presidente que decide”.
Sem justa causa
Como Fabrício é jogador do Inter há mais de um ano, a possível rescisão do contrato de Fabrício deve passar pelo Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul. E o advogado Décio Neuhaus, que representa a entidade, já antecipou ao que o sindicato não aceitará a justa causa — se ela for proposta pelo Inter. “A demissão por justa causa é uma decisão muito grave, que mancha a carreira do jogador para sempre. Eu vi o ato do Fabrício. Foi uma coisa grotesca, mas insuficiente para caracterizar a justa causa. O sindicato não vai homologar justa causa neste caso”, afirma.
Decisão sobre Fabrício divide dirigentes do Inter
Apesar de divergência, diretoria entende que lateral não tem condições de atuar pelo clube