Inter

Decisão sobre Fabrício divide dirigentes do Inter

Apesar de divergência, diretoria entende que lateral não tem condições de atuar pelo clube

Decisão sobre Fabrício divide dirigentes do Inter
Decisão sobre Fabrício divide dirigentes do Inter Foto : Ricardo Giusti
Horas após o jogo Inter e Ypiranga, ainda durante a madrugada dessa quinta-feira, Fabrício foi até o Aeroporto Salgado Filho e, de lá, partiu para São Paulo. Voltará somente na segunda-feira, quando seu destino estará definido. Em Porto Alegre, no entanto, ficaram os problemas. Divididos, os dirigentes colorados não se definiram sobre a medida correta a ser tomada, mas concordam em um ponto: Fabrício não tem mais condições de jogar pelo Inter.

A atitude do jogador, que fez gestos obscenos e jogou a camisa do Inter no chão diante de 12 mil torcedores no estádio Beira-Rio, é unanimemente considerada grave demais. Alguns dirigentes, porém, defendem que o clube preserve o jogador para tentar vendê-lo a algum outro clube. Outros desejam a rescisão imediata do contrato de Fabrício, demitindo-o por justa causa — ou seja, sem direito a indenizações.

O presidente Vitorio Piffero deve anunciar na segunda-feira que Fabrício treinará em separado até que o clube encontre um destino para ele. “Apesar da raiva que todos estamos sentindo dele neste momento, tentar vendê-lo para outro clube, colocando algum recurso nos cofres até para trazer um substituto, é a decisão mais racional que podemos tomar”, ressalta um dirigente ligado a Piffero. Até segunda-feira, inclusive, existe a chance de já haver alguma negociação em andamento. Durante o dia de ontem, os dirigentes colorados receberam sondagens de três clubes brasileiros, interessados em contar com Fabrício a partir do Campeonato Brasileiro.

Os jogadores, porém, estão sugerindo a permanência de Fabrício junto à direção. D’Alessandro confirmou nessa quinta que já conversou com Fabrício e disse que ele está arrependido de sua atitude durante o jogo. “Vamos fazer o possível para que ele fique. Gostamos muito dele. Ele se doa ao máximo e muitas vezes já jogou com dores ou machucado. Não atrapalha, não incomoda, chega no horário e trabalha muito”, afirma D’Alessandro. Ele lembra que a decisão não passa pelos jogadores: “Vamos fazer esse pedido, mas é o presidente que decide”.

Sem justa causa

Como Fabrício é jogador do Inter há mais de um ano, a possível rescisão do contrato de Fabrício deve passar pelo Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul. E o advogado Décio Neuhaus, que representa a entidade, já antecipou ao que o sindicato não aceitará a justa causa — se ela for proposta pelo Inter. “A demissão por justa causa é uma decisão muito grave, que mancha a carreira do jogador para sempre. Eu vi o ato do Fabrício. Foi uma coisa grotesca, mas insuficiente para caracterizar a justa causa. O sindicato não vai homologar justa causa neste caso”, afirma.