A derrota do Inter para o Athletico-PR, na estreia do Campeonato Brasileiro, representou um início negativo em diversos aspectos. Além do resultado em si, o tropeço ocorreu diante de um adversário que tende a disputar posições semelhantes na tabela ao longo da competição, o que amplia o peso do revés no Beira-Rio. Ainda assim, o resultado não foge ao contexto traçado pelo próprio clube para a temporada, que aliás, já foi exaustivamente avisado em várias entrevistas, por várias pessoas.
Desde o início do ano, dirigentes e comissão técnica têm reiterado que o principal objetivo é realizar um Brasileirão sem sobressaltos, distante da zona de rebaixamento, evitando o que ocorreu no ano passado. A proposta é de reconstrução gradual, compatível com as limitações financeiras e estruturais do elenco e do próprio clube.
Nesse cenário, as vaias da torcida ainda no primeiro tempo, após o gol sofrido em uma falha defensiva, contrastaram com o discurso de cautela adotado internamente. O técnico Paulo Pezzolano já havia alertado, em outras oportunidades, para as restrições do grupo à disposição, posição também defendida pelo executivo Fabinho Soldado ao longo das últimas semanas.
Após a partida de quarta-feira, no Beira-Rio, Pezzolano voltou a destacar a necessidade de paciência no processo, sobretudo com os jovens atletas. “Temos dado oportunidades aos meninos. Alguns estão indo bem, mas não posso apressá-los. Coloquei Raykkonen, de 17 anos, que precisa de ambiente e contexto para entrar”, explicou. “Falamos bastante em reforços, mas tem um aspecto financeiro que dificulta. O nosso grupo tem poucos jogadores acostumados com a Série A”, reconheceu.
O treinador reforçou que a temporada exigirá resiliência. “Falamos que vai ser um ano duro. Sabemos os problemas econômicos do clube. Temos que seguir por este caminho”, afirmou. Segundo ele, o elenco atual é enxuto, mas serve como base para o trabalho. “Nunca falo de titulares e reservas, sempre falo de quem começa jogando e quem termina o jogo. Temos uma base, mas é um time curto”, lembrou.
O Inter figura entre os clubes que menos contrataram na Série A até o momento, com apenas três reforços anunciados (Félix Torres, Rodrigo Villagra e Paulinho Paula), ao mesmo tempo em que está entre os que mais negociaram saídas nesta janela. A situação financeira do clube limita investimentos e é agravada pela implementação das regras de fair play financeiro por parte da CBF, que impedem e punem gastos acima da capacidade orçamentária dos clubes.
Além das dificuldades internas, o Inter terá uma sequência exigente nas próximas rodadas do Brasileirão. Na quarta-feira, enfrenta o Flamengo, no Maracanã, e, na quinta-feira seguinte (12/02), recebe o Palmeiras, no Beira-Rio, dois confrontos que testarão a capacidade de reação da equipe. Antes, neste sábado, volta-se para o Gauchão, enfrentando o Caxias, no Centenário, com uma equipe alternativa, mas com a presença de Pezzolano.
Mesmo diante das limitações, o uruguaio reafirmou que o clube segue atento ao mercado dentro das possibilidades. “Estamos alinhados e conversamos sempre. Tem questões financeiras, tem fair play financeiro. Os meninos são jogadores bons, mas precisamos de contexto e momento para lançá-los. Mas vão chegar outros jogadores”, concluiu.
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