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Desde o último título de expressão do Inter, qual técnico fez o melhor trabalho?

Jornalistam comentam quem teve melhor desempenho desde a Recopa de 2011, sob comando de Dorival Júnior

Roger Machado foi o último treinador campeão pelo Inter com o título do Gauchão 2025
Roger Machado foi o último treinador campeão pelo Inter com o título do Gauchão 2025


Não é raro ouvir de torcedores colorados nos últimos tempos uma lamentação mais ou menos assim: "Ah, se fulano tivesse chegado um pouco antes...". Nas últimas temporadas isso se repetiu com Mano Menezes, Eduardo Coudet e Roger Machado. Todos eles reuniram um aspecto em comum: terminaram um ano com bons resultados para no ano seguinte a expectativa criada não ser atendida a contento.

A subjetividade, fruto da hipótese do torcedor, dá lugar à objetividade com a frieza dos números. Para citar apenas o trio, somente Roger levantou uma taça no clube, justamente o maior anseio da torcida. No entanto, a faixa no peito nem sempre significa uma lembrança 100% fidedigna de reconhecimento e aceitação do profissional. Argel Fuchs, campeão gaúcho em 2016, que o diga. Dificilmente ele é lembrado como alguém de um legado deixado no clube no fatídico ano do rebaixamento.

| Foto: Leandro Maciel

Por essas e outras razões o Correio do Povo resolveu provocar dez jornalistas gaúchos para comentarem a respeito do trabalho dos treinadores neste recorte de tempo de quase duas décadas em que muitos perfis passados ​​pelo Beira-Rio deixando poucas conquistas pelo caminho.

O último técnico a levantar um troféu de maior expressão pelo Inter foi Dorival Júnior campeão da Recopa Sul-Americana de 2011. De lá para cá passaram outros 18 nomes no comando do time, alguns deles mais de uma vez. A pergunta é simples: Qual fez o melhor trabalho e por quê? Confira abaixo a resposta de cada um dos jornalistas.

Cristiano Silva | Repórter e apresentador da Rádio Guaíba

Abel Braga, em 2020, venceu o vice-campeão Brasileiro, não foi campeão porque roubaram do Inter. Mano Menezes, 2022, foi vice-campeão brasileiro, com classificação de campeão, perdendo apenas para o super Palmeiras. Detalhe que o ataque do Inter foi de Pedro Henrique e Alemão, um tempo modesto, mas bem treinado e aplicado. Odair foi vice-campeão da Copa do Brasil, vindo de uma Série B. Roger é campeão e fez um belo 2024. São vários técnicos, mas ficaria com Abel 2020 e Mano 2023.

Paulo Vinícius Coelho | Comentário do Paramount+ e do UOL Esportes
É difícil dizer quem fez o melhor trabalho, porque quem fez o pior trabalho foi o Internacional. O clube é uma instituição, uma comunidade. Tem gente de todo o tipo que passa por ele, mas quem o organiza são as pessoas que formam esse clube. E ele não conseguiu ser gerido como o Internacional merece ser gerido. O Inter foi quem fracassou. Mas o melhor trabalho eu diria o Abel. Em 2014 ficou em terceiro no Brasileirão e em 2020 foi vice. Em duas passagens foi quem ficou mais perto de um título que o Inter precisa.

Alexandre Praetzel | Apresentador da Rádio Bandeirantes de São Paulo
Abel Braga em 2014 e 2020. Primeiro pegou um time comum e foi campeão gaúcho e levou o time à Libertadores. Depois, em 2020, foi contratado com enorme desconfiança e substituiu um elenco comum e desacreditado. A campanha do Brasileiro foi espetacular como recuperação e não virou título por dois erros de arbitragem contra o Corinthians, principalmente. Resumindo, Wilton Pereira Sampaio não deixou Abel ser campeão brasileiro.

Rogério Amaral | Comentário da Rádio Guaíba
Essa é uma pergunta difícil de responder porque teríamos de avaliar diversas situações que influenciaram o trabalho tais como elenco de jogadores e o momento que chega para dirigir a equipe, para citar apenas duas como exemplo. Vou me apoiar no mais fácil e que pode ser até simplista, mas que serve para comparar a campanha. Aqueles que chegaram numa final de competição, como Odair Hellmann na Copa do Brasil, ou foram vice-campeões no Campeonato Brasileiro, como Abel Braga e Mano Menezes.

Gutiéri Sanchez | Comentarista da Rádio Guaíba
Nenhum trabalho “cumpriu” seu objetivo maior - um título grande. Até por isso, num período tão carente de conquistas, Roger fez o melhor e mais proveitoso trabalho. Ganhou um estadual, em que pese a menor importância, ainda que tenham sido oito temporadas sem este título. Fez o Inter jogar bem, valorizou atletas e tem os semestres 2024-2 e 2025-1 muito bons.

Fabrício Falkowski | Setorista do Inter no Correio do Povo
Foi Abel Braga em 2020. O tempo não era tão bom, com muitos jogadores da base, e mesmo assim o Inter quase foi campeão brasileiro.

Carlos Correa | Editor de Esportes do Correio do Povo
Há um mérito de Eduardo Coudet em ter entregue o time na liderança, mas foi com Abel Braga, o técnico que deu os títulos maiores ao Inter, que o tempo encarreirou dez vitórias consecutivas e brigou pelo título até a última rodada, naquele jogo contra o Corinthians com arbitragem contestada. O Inter até foi vice outras vezes neste meio tempo, mas nunca com tanta chance de quebrar um jejum de quase 50 anos como no Brasileirão de 2020.

Hiltor Mombach | Colunista do Correio do Povo
Abel Braga em 2020. O Flamengo havia montado o melhor momento do país em 2019. Em 2020 foi a última vez que o Inter teve chances reais de ser campeão até a última rodada. Faltou um pontinho ou um gol diante do Corinthians. A campanha de 2020 é uma prova que montando um bom tempo ainda dá para ter esperança de título no Brasileiro.

Gustavo Berton | Repórter da ESPN
Não é tão fácil de responder, mas eu ficaria com o trabalho do Abel e do Coudet em 2020 e do Mano e do Coudet em 2023. Talvez por resultado, o do Coudet que levou o Inter até a semifinal da Libertadores foi o melhor. Mas o trabalho de 2020 do Coudet e do Abel foi muito significativo. Naquele ano o Coudet estava bem no Inter antes de ir para a Espanha, estava entre os cotados para ser campeão brasileiro. Ele sai, o Inter passa por uma instabilidade sem treinador e aí vem o Abel. Ele consegue uma sequência de vitórias e por 10 centímetros ou menos do que isso não é campeão brasileiro. E o principal desse trabalho não é só o resultado. Ali ficou uma base para o ano seguinte. O erro do Inter foi não ter ficado com o Abel e ter trazido o Miguel Angel Ramirez que não sabia onde estava.

Felipe Bueno | Repórter da TV Record
A realidade é que o clube não teve nenhum trabalho sólido desde a conquista do último título de expressão. Na verdade, nem mesmo a campanha de Dorival Júnior, o responsável pela conquista da Recopa, ficou marcada no imaginário do torcedor. Uma taça, sim. Alguns dos profissionais que passaram pelo Beira-Rio viveram bons momentos. Lapsos. Interrompidos por más atuações, tão repentinamente quanto grandes exibições. A quebra dos ciclos impede uma avaliação mais precisa. Mas, se é necessário escolher, fico com Mano Menezes e Abel Braga, que conduziram tempos limitados ao vice campeonato brasileiro.

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