Para Cunha, o futebol é uma divisão de valores e oportunidades. “Eu enalteço o Inter e, mais do que isso, torço para que seja campeão Mundial em Abu Dhabi para fortalecer o Brasil. Até para mostrar à Europa a qualidade dos nossos jogadores e a potencialidade dos nossos clubes”, completou. O dirigente paulista argumenta que, assim como o Inter venceu neste ano, em oportunidades futuras será a vez do São Paulo ou do Grêmio. “Esse protagonismo dos grandes sempre irá acontecer”, acrescentou.
Cunha argumenta que o Inter é um clube extremamente regionalista. Apesar de considerar isso como algo positivo, ele faz uma crítica: “Se você quer ser conhecido internacionalmente, você não pode fechar as tuas fronteiras. Existem torcedores do Inter em todo o Brasil que são migrantes gaúchos, mas o clube tem condições de conquistar a torcida de outras pessoas que não nasceram no Rio Grande do Sul.” O supervisor de futebol também ressaltou a proximidade das duas instituições. “Tomamos decisões parecidas, temos ideologias de futebol próximas, salvo essa diferença de regionalismo, que o Inter tem e o São Paulo não. O nosso clube é uma Nova Iorque. Aqui não temos a tradição de raiz tão forte, por isso temos a facilidade de nos nacionalizar.”
Baresi é homem de transição
Marco Aurélio Cunha revelou que o São Paulo passa por um momento delicado e que o técnico Sérgio Baresi é o “homem de transição”. “Nós temos um modelo vencedor de cinco anos, ainda que com ele não tenhamos obtido um título da Libertadores. Chegar até a semifinal de uma competição ou disputar um título até a última rodada nos dá uma satisfação com o nosso projeto. O Baresi está recebendo todo o nosso apoio para que faça um grande trabalho de aproximação das categorias de base com o profissional”, garantiu.
Cunha afirmou que o segredo para que o São Paulo sempre esteja presente nas decisões das competições é a estrutura do clube. “O nosso espaço de tempo sem título é no máximo um ano ou dois. Têm times que ficam mais de dez sem conquistar alguma coisa. Outros nunca venceram a Libertadores.” ponderou.
A inconstância no Brasileirão
O dirigente enxerga como normal a atual fase do São Paulo no Campeonato Brasileiro. Para Marco Aurélio Cunha, o clube sofre uma inconstância de atuações. “Até não vínhamos tão mal antes da Copa Mundo, mas o problema é que estávamos jogando somente com o prestígio de alguns atletas e não tínhamos uma continuidade no sistema de jogo. Estamos depurando isso e daqui a pouco vamos melhorar”, avisou.