Os principais defensores da associação com a Andrade Gutierrez foram liderados pelo presidente Giovanni Luigi. Munido de números e projeções estatísticas, ele defendeu a tese de que o Inter não teria condições financeiras de tocar a obra. "O clube, como um todo, sai vencedor”, garante. "Foi um ano extremamente difícil por uma série de coisas que o Inter viveu, inclusive a questão das obras. Todas as questões foram vencidas", desabafa.
Agora, a AG corre atrás dos investidores necessários para a reunião dos cerca de R$ 300 milhões que a obra consumirá. Ela tem 120 dias para fazer isso. Se não obtiver sucesso na busca, pode desistir do negócio dentro deste prazo. Luigi garante que não há motivo de preocupação. "As informações verbais que eu tenho é que já está tudo bastante adiantado. Existe a necessidade de assinarmos este contrato logo e fazermos uma cronologia", diz o presidente.
A empresa garante que termina toda a reforma em menos de 18 meses, cumprindo todas as exigências impostas pela Fifa para a Copa do Mundo de 2014.
Fortalecido pelo apoio maciço do Conselho, Giovanni Luigi não quis comentar a questão política. "Os conselheiros estudaram, votaram cada um da forma que entendiam que deveriam votar, foi uma reunião que mostrou a maturidade do Conselho. Espero que todos estejamos unidos agora para levar isso adiante e ser exemplo quando estivermos na Copa do Mundo".
Apesar do pouco número de votos contrários, a oposição foi representada por personalidades de peso, lideradas por Vitorio Piffero. O ex-presidente, que ordenou a destruição de parte das arquibancadas inferiores para início das obras, nos últimos dias da sua gestão, em dezembro de 2010, protestava que a parceira deixaria o clube menor. De acordo com ele, o clube perderá receitas nos próximos anos, comprometendo os investimentos no futebol.
Ao final, Piffero disparou: "Agora vou para capela rezar. Se a AG der licença, é claro. Vou rezar para que a construtora não nos abandone, porque tem uma cláusula de rescisão de 120 dias. Vamos fazer fila e rezar para que ela não nos largue, pelo amor de Deus".
Piffero, que defendia a obra com recursos próprios, lamentou a postura do seu sucessor. "Descobri só depois que a proposta de continuidade do presidente Luigi não era de continuidade no que diz respeito às obras. Aquilo me deixou chateado, mas fazer o quê?", afirmou.
Ibsen Pinheiro foi outro ex-dirigente a se manifestar. "O resultado era esperado. O número de pessoas que se manifestaram contra foi expressivo. Tenho certeza que, se fosse entre a torcida, o resultado seria o oposto. Vamos torcer para que dê certo. Foi uma decisão errada, mas pode dar certo. Às vezes, no futebol, a má escalação também dá vitória", resignou-se.
Outro assunto que assustou os conselheiros foram as contas do clube em 2011. Segundo os números apresentados, a projeção é que o Inter feche o ano com R$ 16,8 milhões de déficit.
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