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Empresa pede bloqueio de vendas de Vitão, Mathias e Gustavo Prado por dívida de R$ 30 milhões

Clube reconhece obrigação pela venda de Bruno Fuchs, mas recorre para ganhar tempo

Defesa da empresa pediu bloqueio do dinheiro da venda de três jogadores, inclusive de Vitão
Defesa da empresa pediu bloqueio do dinheiro da venda de três jogadores, inclusive de Vitão Foto : GUILHERME DIONíZIO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Apesar de reconhecer que a dívida é certa e que terá de ser quitada em algum momento, o Inter pretende recorrer a todas as instâncias possíveis para adiar o pagamento dos cerca de R$ 30 milhões devidos à Showball Assessoria Esportiva LTDA, em razão da venda do zagueiro Bruno Fuchs, realizada em 2020. A estratégia do clube é ganhar tempo, postergando o desembolso em meio a um cenário financeiro muito delicado.

Do outro lado, cientes das dificuldades do Inter para honrar o compromisso no curto prazo, os advogados da Showball ingressaram com um pedido na Justiça para o bloqueio das receitas provenientes de eventuais negociações envolvendo jogadores do atual elenco. A solicitação prevê o bloqueio de valores relacionados às possíveis vendas de Vitão, Gustavo Prado e Ricardo Mathias. O requerimento está sob análise da juíza responsável pelo caso e pode ter decisão a qualquer momento. Caso seja acolhido, qualquer valor obtido pelo Inter com a negociação de um desses atletas ficará retido judicialmente até a quitação integral da dívida.

Em contato com o Correio do Povo, o presidente Alessandro Barcellos minimizou o impacto político do processo e buscou contextualizar a situação dentro da realidade do futebol brasileiro. “Todos os clubes do futebol brasileiro têm vários processos, de várias origens, com negócios feitos no passado. As obrigações são do Inter e não de uma direção específica, mas temos uma estrutura jurídica para lidar com esse tipo de problema”, afirmou o dirigente.

Internamente, a possibilidade de bloqueio de receitas futuras é vista com preocupação, sobretudo porque Vitão é considerado um dos ativos mais valorizados do elenco e alvo frequente de sondagens do mercado nacional e internacional. A eventual restrição judicial sobre uma venda desse porte poderia comprometer o planejamento esportivo e financeiro do clube para a próxima temporada.

A dívida em questão, revelada na edição de ontem do CP, tem origem na venda de Bruno Fuchs ao CSKA, da Rússia, em agosto de 2020. Na época, a empresa, que é do agente Jair Peixoto, tinha 20% dos direitos do zagueiro. Ou seja, tinha que receber a sua parcela da negociação. Como o Inter não aceitou fazer o pagamento solicitado, ele entrou com uma ação na Justiça no início de 2021, que tramitou desde então. Neste momento, o processo está em fase de execução, mas ainda há espaço para novos recursos protelatórios que serão buscados pelo Inter.

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