Um primeiro passo foi dado. Nos últimos dias, o Inter formou uma comissão para avaliar alternativas que aumentem suas receitas e ajudem a enfrentar o endividamento que sufoca as contas do clube. Uma das possibilidades em estudo — a principal, mas não a única — é a transformação em SAF, ideia que ainda encontra resistências, embora já menores do que no passado. O grupo, formado por ex-presidentes e especialistas em diversas áreas, terá até 120 dias para apresentar um parecer ao Conselho Deliberativo.
Há internamente a convicção de que o Inter perdeu competitividade nos últimos anos e de que, caso não busque alternativas agora, o problema será ainda maior no futuro próximo. A dívida do clube pode se aproximar de R$ 1 bilhão até o final desta temporada, consumindo quase R$ 100 milhões por ano apenas em juros. Além disso, a receita é menos da metade da registrada por alguns concorrentes, como Flamengo e Palmeiras — adversários que o Colorado precisa enfrentar em condições de igualdade dentro de campo.
A comissão é formada pelo atual presidente, Alessandro Barcellos; os ex-presidentes Fernando Carvalho, Marcelo Medeiros e Pedro Paulo Záchia; além do ex-presidente do Conselho Deliberativo, Sérgio Juchem, que presidirá os trabalhos. Também integram o grupo nomes reconhecidos em suas áreas de atuação: Aod Cunha, Carlos Alberto Vargas Rossi, Daniel Cravo Souza, Fábio Bernardi, Maximiliano Carlomagno e Rogério Pastl, todos colorados, mas sem ligação com grupos políticos.
Os primeiros encontros devem ocorrer nos próximos dias. A ideia é contratar uma ou duas consultorias para analisar os modelos de SAF já em funcionamento no Brasil e no exterior, examinando prós e contras. Também está prevista uma pesquisa entre torcedores para avaliar que tipo de modelo poderia se ajustar à “cultura colorada”. Além disso, o grupo fará um diagnóstico detalhado da situação financeira do clube e estudará alternativas para enfrentar a dívida.
O objetivo é modernizar o Inter, mesmo que mantenha o modelo associativo, de forma a recuperar competitividade e retomar algum protagonismo nacional, como ocorreu nas décadas de 1970 e 2000.
“A dívida é uma preocupação grande, mas há outros aspectos a serem considerados. Não há um direcionamento apenas para esse tema. É muito mais amplo. Precisamos revisar as estruturas jurídica e estatutária do clube e enxergá-lo dentro deste mercado em transformação. A comissão é aberta, e a consultoria externa vai trazer pontos a serem considerados. Esperamos que surjam propostas que permitam enfrentar o futuro, recuperando o protagonismo que já tivemos. O objetivo maior é voltar a conquistar títulos importantes”, afirmou o ex-presidente do Conselho Deliberativo, Sérgio Juchem.
SAF em pauta
Transformar-se em SAF, seguindo o caminho de outros clubes brasileiros — como Botafogo, Vasco, Cruzeiro e Atlético-MG —, é considerado o caminho natural para grandes clubes endividados, caso do Inter. Caso esse seja o caminho adotado pelos colorados, a intenção dos dirigentes, pelo menos, é não aceitar a primeira proposta que surgir e, antes, preparar-se com profundidade para avaliar qualquer possibilidade de parceria ou venda.
O presidente Alessandro Barcellos tem evitado comentar o assunto nos últimos dias, a fim de não dividir atenções com a decisão da Libertadores contra o Flamengo. No entanto, em mensagens enviadas ao Correio do Povo, confirmou ter esperanças de que a comissão traga resultados positivos. Barcellos também garantiu que o Inter ainda não foi procurado por nenhuma empresa ou agente interessado em “comprar” ou se associar ao clube.
“Até agora, nada (de proposta). Mas tenho certeza de que, em breve, elas irão aparecer”, afirmou.