De volta a Porto Alegre após um período de viagem à Itália, Paulo Roberto Falcão falou nesta terça-feira sobre a rápida passagem que teve como técnico do Inter. O ídolo colorado disse em entrevista à Rádio Guaíba que em Roma foi questionado sobre o porquê de ter sido demitido após apenas cinco jogos e afirmou ainda não entendeu a situação que passou no Beira-Rio.
“As pessoas me perguntaram na Itália sobre isso. Eu tive uma janta com um diretor da Roma e pessoas ligadas ao presidente, um convite que me honrou muito, a pergunta foi sobre uma demissão após cinco jogos. Eles queriam saber o que eu tinha para dizer. O que eu falei foi que não sei. Não tenho explicação sobre o que aconteceu. Até teria, mas não vem ao caso. Não consigo entender e acho que ninguém entende dentro de um raciocínio lógico de futebol se trocar um treinador após cinco jogos. Me surpreendi, evidentemente, como também pelo convite. Mas me surpreendi muito mais com a demissão”, afirmou Falcão, que não escondeu sua frustração com a situação.
“Perguntaram também como eu me sentia. Eu disse que a gente vai digerindo as coisas, vai armazenando coisas e as vezes criando uma armadura externa. Isso não significa que você não sofra, a gente é humano, sente e tem as dificuldades. Vamos criando calos, mas também digo que não estou completamento calejado com as coisas que acontecem”, seguiu.
Sobre o período que comandou o Inter, Falcão ressaltou que teve tempo de comandar apenas nove treinos. O treinador admitiu que a questão emocional por conta da sequência sem vitórias atrapalhava o grupo. Em razão disso, solicitou a contratação da psicóloga Suzy Fleury, que trabalhou com o elenco antes dos jogos contra Cruzeiro e Fluminense. “Eu consegui comandar apenas nove treinos. Isso dentro do futebol de hoje, onde você sai da prática do que quer e vai para o campo, precisa ter repetição. E isso é muito difícil nesse tempo. Enfrentamos o líder do campeonato, o Palmeiras, depois a Ponte Preta fora empatando com 10 homens. Aí tivemos o Corinthians, que assumiu ali a liderança, também 1 a 0. O resultado que fugiu um pouco do controle foi o Fluminense, que deveríamos ter vencido, mas já tinha algumas melhoras dentro do que entendo de futebol”, analisou.
“A gente pensou na ideia de trazer uma profissional com capacidade reconhecida, que passou pela Seleção e me ajudou muito no Sport e no Bahia. Achei que ela poderia ajudar, mas chegou e conheceu o grupo antes do jogo contra o Cruzeiro e trabalhou mesmo na véspera da partida com o Fluminense. Era para ajudar a gurizada a entender esse momento e tirar as coisas positivas. Posso dizer que eram jogadores que queriam, que estavam extremamente incomodados com aquela situação”, disse.
Apesar do jejum de 14 jogos sem vitórias, Falcão acredita que o Inter irá escapar do rebaixamento. O ídolo do clube, no entanto, destaca que o time precisa, além dos três pontos, apresentar bom futebol para recuperar a confiança. “Quando eu saí a gente não estava na zona de rebaixamento e ainda faltava um turno inteiro. Não era uma situação desesperadora, e nem é agora. A vitória tem que vir com bom futebol. Se vem jogando bem, isso cria uma consistência. A vitória não pode vir no 'vamos que vamos' porque isso gera dúvida. Essa é a minha ideia não apenas para o Inter, mas de futebol”, finalizou.
Falcão admite sofrimento e diz ainda não entender demissão no Inter
Técnico analisou passagem rápida como técnico do clube