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Falta de gols em jogos-treino preocupa Celso Roth

Técnico do Inter reconhece que não é uma pessoa simpática em entrevista ao Correio do Povo

Falta de gols em jogos-treino preocupa Celso Roth
Falta de gols em jogos-treino preocupa Celso Roth Foto : Jefferson Bernardes/VIPCOMM
Celso Roth nunca foi o técnico dos sonhos da torcida colorada, mas chegou com tarefa determinada: conduzir o Inter nas derradeiras rodadas da Libertadores. Trata-se de uma empreitada complicada, mas o treinador apresenta os pré-requisitos. Ele começou o trabalho no Beira-Rio no último dia 18. É pouco tempo, insuficiente para rearranjar a equipe e encontrar um padrão. E a reestreia no Brasileirão já é nesta quarta-feira, às 21h50min, diante do Guarani. Na Libertadores, a caminhada recomeça dia 28 de julho, no clássico com o São Paulo. Abaixo, Roth se mostra mais: revela a preocupação com a ausência de gols no amistoso e jogos-treinos e reconhece que não é simpático.

CP: Em que estágio está o Inter?
Roth:
Está evoluindo. O trabalho tem sido muito bom, proveitoso, tanto no aspecto físico quanto no técnico. Lógico que há espaço para crescimento até chegarmos no nível que sabemos que o grupo pode chegar. É para isso que trabalhamos.

CP: O tempo de trabalho é curto. Mas que setor do time está mais atrasado?
Roth:
Não diria que há um setor que esteja atrasado. Todos têm detalhes a serem trabalhados. É uma preocupação o fato de não termos marcado gol nos jogos-treino com a equipe, por agora, titular. Mas sabemos que é normal que isso aconteça. Ainda buscamos uma mecânica que funcione, com os meias chegando, os volantes entrando na área.

CP: Apesar do aspecto carrancudo, as pessoas que convivem com você enxergam um outro lado. Qual é o motivo dessa aparente contradição?
Roth:
Eu não sou uma pessoa simpática, o que não quer dizer que seja antipático, mas talvez seja essa impressão que eu passe. Carrego também o passado, onde eu talvez tenha realmente sido duro, principalmente com a imprensa. Mas fico feliz que as pessoas que convivem comigo enxerguem de outra forma.

CP: Você treinou grandes clubes do Brasil. O fato de não ter ganhado título relevante incomoda?
Roth:
O ponto a ser discutido é que no Brasil se avalia muito mais o resultado final do que o trabalho. Lógico que é importante ter conquistas, mas fazer bons trabalhos, com conteúdo, disciplina, bem planejados e executados também é. Não é por acaso que trabalhei em diversos clubes do Brasil e que o Inter tenha lembrado do meu nome. Tenho convicção de que a conquista virá e não falaremos mais disso.

CP: Muitos dizem, até os dirigentes do Inter, que seu trabalho é muito bom no curto prazo, mas que perde força com tempo. Como avalia isso?
Roth:
Isso é um fato, que pode e deve ser mudado com conquistas. Mas é necessário que seja feito uma avaliação caso a caso do motivos. É importante avaliar o momento da equipe quando se inicia um trabalho.

CP: Na sua opinião, o que foi decisivo para que o Inter optasse por você?
Roth: Não sei, é uma questão que deve ser feita aos dirigentes. Espero que tenha sido a qualidade do trabalho.

CP: Os dois jogos contra o São Paulo os mais importantes da sua carreira?
Roth:
Todos os jogos são importantes. No entanto, é inegável que essas partidas, pelo momento e pelo que significam, são especiais. Não só pra mim, como para todos no Inter.

CP: O que está faltando ao Alecsandro?
Roth:
O Alecsandro é o goleador do Inter na temporada. E foi na temporada passada também. Isso prova sua qualidade, mas é claro que vamos buscar uma mecânica de jogo que possa aproveitar o talento dele.

CP: Abriria mão de um centroavante?
Roth: Tudo é possível. E tudo tem os dois lados. Quando se muda a equipe, se ganha de um lado e perde de outro. O objetivo é achar o equilíbrio. Não existe verdade absoluta, tudo é possível desde que funcione.