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Goleada de 8 a 1 decretou fim da "touca”

Inter massacrou Juventude na final do Gauchão de 2008 e mudou história do confronto<br />

Inter garantiu título com goleada
Inter garantiu título com goleada Foto : Alexandre Lops / Divulgação / Inter / CP Memória
O título gaúcho conquistado dentro do Beira-Rio em 1998 e a goleada de 4 a 0 no mesmo estádio na semifinal da Copa do Brasil somadas a outras vitórias por Gauchões e Brasileirões alimentaram o folclore de que o Juventude era touca do Inter. Por anos, o Colorado, mesmo ganhando títulos estaduais e, posteriormente, internacionais, seguia encontrando dificuldades diante do rival da Serra. Isso durou até 2008, ano em que uma goleada de 8 a 1 deu uma reviravolta na história do confronto.

Assim como em 2016, o Juventude chegou à final do Gauchão em 2008 deixando pelo caminho o Grêmio. O fato de não haver Gre-Nal na final não diminuiu a motivação para a decisão no lado vermelho. “A gente sabia que era oportunidade para acabar com aquela situação de histórico desfavorável. O torcedor também se sentia incomodado, era algo perceptível. E tínhamos consciência da nossa responsabilidade, já que poderíamos deixar uma marca e virar a página, como se diz. Foi o que aconteceu em campo”, recorda o ex-goleiro Clemer.

Juventude e Inter jogaram a primeira final do Gauchão de 2008 no estádio Alfredo Jaconi. No dia 27 de abril, o time comandado por Abel Braga até fez um bom jogo e conseguia um favorável empate sem gols até os minutos finais da partida. Mas, aos 47 minutos do segundo tempo, após um erro de Fernandão, Maicon fez o gol que garantiu a vitória do time de Zetti. Aquela era a terceira partida entre Juventude e Inter naquela Gauchão, a terceira com vitória do clube da Serra.

Com uma derrota por 1 a 0, a terceira na competição, o Inter foi para a partida da volta no Beira-Rio. Um jogo que valia mais que o título gaúcho. Valia acabar com um incômodo tabu, valia “rasgar a touca. “Nosso grupo daquele ano, assim como o da Libertadores e o do Mundial, sempre soube porque vencia e porque perdia, era muito consciente e profissional. Trabalhamos durante a semana baseados no jogo de ida e com esse componente a mais da necessidade de ganhar do Juventude”, lembra o atual técnico do Sergipe Clemer.

No dia 4 de maio de 2008 aconteceu o jogo de volta da final no Beira-Rio. Depois de um começo de jogo tenso, o Inter abriu o placar com o zagueiro Danny Morais – que jogava aquela partida como volante – aos 25 minutos. Não deu tempo para o Juventude reagir. Em 12 minutos, Fernandão duas vezes e Alex, que se tornava artilheiro isolado da competição com aquele gol, aumentaram o placar para 4 a 0.


“Ninguém imaginava que aconteceria um furacão na decisão do Campeonato Gaúcho de 2008, no Beira-Rio, mas aconteceu: o Inter humilhou o Juventude. Foi uma façanha para um time que já havia perdido por três vezes para este mesmo Juventude nesta competição. Foi um jogo trepidante em que Fernandão, que passou a semana sendo contestado pela torcida por “entregar” uma bola fácil no primeiro jogo decisivo e possibilitar a vitória do Juventude por 1 a 0, foi o melhor em campo, disparado”, escreveu o Correio do Povo em sua crônica sobre a partida.

Mesmo com o título definido no primeiro tempo com 4 a 0, o Inter não tirou o pé. O Juventude, atordoado, viu a humilhação ser maior. O capitão Fernandão aumentou a contagem logo aos 4 do segundo tempo. Depois, Nilmar e Índio aumentaram o massacre – o próprio zagueiro havia anotado contra antes de seu gol a favor.

Com o placar em 7 a 1, Andrezinho foi derrubado na área aso 44 do segundo tempo. Pênalti para o Inter, e o Beira-Rio inteiro começou a gritar o nome de Clemer. Era isso mesmo, a torcida queria o goleiro para fazer o oitavo gol e enterrar de vez o folclore da touca.

Clemer lembra que nada havia sido combinado entre os jogadores nem com o técnico Abel Braga. A reação da torcida o levou a bater a penalidade. “Aquele coro no estádio foi crescendo, aumentando de volume. Cada vez que ouvia meu nome mais alto, dava mais um passo adiante no campo (risos). Foi questão de momento, de segundos, situação de jogo mesmo. Quando a torcida começou a pedir por mim na cobrança, olhei pro Abel e ele consentiu. Então ganhei ainda mais confiança pra bater”, relembrou.

Clemer foi para a cobrança e, com direito a cavadinha, bateu sem chances para o goleiro Michel Alves e levou o Beira-Rio à loucura. O árbitor Carlos Simon apitou o final da partida logo após o gol, o oitavo, que decretava a histórica goleada de 8 a 1 para o Inter.

“Foi algo inusitado e marcante naquela conquista, mas jamais no sentido de humilhar ou menosprezar o adversário. Até porque, como sempre digo, você só chega a uma vitória daquele tamanho se respeitar e muito quem estiver do outro lado”, afirmou Clemer.


A goleada de 8 a 1 definitivamente decretou o fim da touca. Desde aquela partida, Inter e Juventude se enfrentaram 12 vezes. Foram nove vitórias coloradas, dois empates e apenas uma do time da Serra, no Gauchão do ano passado no Jaconi. Clemer considera que o 8 a 1 realmente foi um marco na história do confronto.

“Acredito que foi um marco na história desse confronto, basta a gente olhar o retrospecto de antes e o de depois daquela final. As pessoas lembram até hoje, o que nos gratifica já que fizemos parte de um momento importante do clube. Independentemente da questão da chamada touca, comemoramos muito. Tanto pelo título como por saber que dificilmente aquela situação se repetiria numa decisão de campeonato, uma vitória daquela expressividade.”