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Heróis de 2006 acreditam no bicampeonato da América

Goleiro Clemer e meias Alex Raphael e Adriano Gabirú falam sobre expectativa para hoje

Heróis de 2006 acreditam no bicampeonato da América
Heróis de 2006 acreditam no bicampeonato da América Foto : Kazuhiro Nogi/AFP
O meia Adriano Gabirú, herói da conquista do Inter no Mundial de 2006, quer que o time de 2010 esteja atento para uma possível armadilha que o Chivas possa aprontar na decisão da Libertadores, nesta quarta-feira, às 22h no estádio Beira-Rio. “O que o grupo precisa entender é que nada está ganho. A vantagem do México tem que ser esquecida. Será uma partida complicada, como foram os confrontos contra o São Paulo”, garantiu, em entrevista ao site do Correio do Povo.

A ansiedade, segundo Gabirú, só pode ser ignorada com muita conversa na concentração. Ele relembra que, no Japão, era companheiro de quarto de Perdigão. “Além disso, pensávamos sobre as situações de jogo. Isso ajuda muito também.”

O jogador acredita que a receita ideal para vencer no Beira-Rio e conquistar o bicampeonato é reprisar a atuação de Guadalajara. “Antes de mais nada, tem que ter muito respeito pelo adversário. Acredito que a alternativa é ir para cima e sair com tudo para  fazer gols.” De Curitiba, Gabirú arriscou um placar: “Sou ruim para palpites, mas acho que dá 2 a 0.”

Momento do clube permite o bicampeonato

Outro destaque da campanha vitoriosa de 2006 é Alex Raphael. O meia chama atenção para a consistência do Inter e para a retomada da confiança colorada na Libertadores. “O momento do clube dá a certeza de que será bicampeão. Claro, que o futebol prega algumas peças e para isso o Inter precisa estar preparado. Até acredito que está, pelos os jogadores que tem”, afirmou em entrevista ao site do Correio do Povo.

Alex relembra que em 2006 o Inter conquistou a Libertadores e o Mundial por ter um grupo pronto para ser campeão. “O plantel casou perfeitamente com a chegada do Abel ainda em janeiro. A partir daquele momento, após a vitória sobre o Barcelona, nós também conquistamos uma nova geração de torcedores. Isso faz parte da grandeza do Inter, que cresceu ainda mais. Por essa continuidade, eu confio no bi da Libertadores”, argumenta.

Atualmente no Spartak de Moscou, Alex esteve no Beira-Rio e assistiu a vitória colorada sobre o Estudiantes, nas quartas de final da competição sul-americana. O atleta salienta que o Inter tem hoje uma multidão de jogadores experientes que carregarão os colegas que ainda não conquistaram um grande título. Ele cita Bolívar, Kleber, D'Alessandro, Fabiano Eller e Guiñazu como esteios de um grupo que tem todas as condições de ser premiado inclusive com o Mundial de Clubes.

Para Alex, o mérito de Fernando Carvalho e a chegada de Celso Roth foram fundamentais para que o Inter crescesse de produção. “Acredito que o time não poderia continuar atuando de uma forma tão presa como atuava na primeira fase.” Ele explica que Roth será como Abel Braga em 2006. “Antes do Inter, o Abelão era visto somente como eterno vice. Ele mudou de patamar, assim como o Celso vai mudar. O Celso é competente e não irá deixar a peteca cair”, acrescentou.

O otimista Alex acredita que o Colorado irá vencer a partida por 2 a 1 e sentencia. “A probabilidade de vitória é muito grande porque o Inter tem mais time que o Chivas. Sem contar a energia do Beira-Rio, que é extremamente positiva.”

Clemer aposta na força do Beira-Rio

O goleiro mais vitorioso da história do clube não esconde a ansiedade para a grande final desta quarta-feira. Clemer sabe bem o que é ter um estádio lotado gritando o nome dos jogadores e, por este motivo, aposta na torcida como o grande diferencial da decisão. “O Beira-Rio vai estar se derramando amanhã (quarta). Nosso torcedor assimilou que é importante apoiar o time até o final”, avalia, por telefone, de sua casa.

Segundo o campeão da Tríplice Coroa colorada - Libertadores, Mundial e Recopa – a equipe “mantém os pés no chão” apesar da vantagem conquistada em Guadalajara. Por isso, reafirma, é fundamental a força que o Inter adquiriu ao longo dos anos no Beira-Rio. “Criamos uma energia entre time e torcida. Quando a gente não ia bem, vinha aquela energia da arquibancada e os jogadores começavam a correr mais e as coisas funcionavam”, recorda o ídolo, de atuação fundamental na vitória sobre o São Paulo naquele 16 de agosto de 2006.

Atual preparador de goleiros do Inter, ele tem agora nova oportunidade de conquistar mais um título pelo time que adotou como seu em 2002, quando chegou a Porto Alegre. Desde então, vem construindo uma bonita relação com os torcedores. “Quando cheguei, as pessoas me pediam na rua para ganhar um título importante. O Inter tinha o tri do Brasileirão, lá da década de 1970, e a Copa do Brasil. Agora, é só alegria com a torcida”, festeja o ex-jogador.

Justamente por ter esta relação tão próxima com os colorados, ele deseja o bi da América como um torcedor apaixonado: “É um título que o nosso rival tem e a gente pode concretizar. Ainda dá para levar o bi do Mundial. Imagina o que é isso?!”

Para chegar tão longe, diz Clemer, é necessário um time fechado. E isso, afirma o ex-atleta, o Inter tem. “Aqui não existe o 'eu', só o 'nós'”, garante. “Estou vendo um grupo muito parecido com aquele. Não se pode comparar ainda, pois não vencemos nada, mas é uma equipe muito estruturada. Parece que estamos repetindo 2006”, acrescenta.

Mesmo assim, Clemer chama a atenção para o perigoso Chivas. “Existe a consciência de que temos que lutar muito para conseguir o título”, pondera, agora, em tom sério. O ex-goleiro, que defendeu o time em 354 jogos, ainda revela ser mais difícil ficar do lado de fora do que barrar o Barcelona de Ronaldinho e Deco: “Sofro muito mais agora porque não posso fazer nada em campo”.