A discussão sobre o futuro financeiro do Inter foi colocada em compasso de espera mais uma vez. O motivo é o atraso na análise das contas de 2025, que acabou provocando o adiamento dos debates sobre o relatório elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal, que iniciou o seu trabalho em novembro e deveria já estar na pauta do Conselho Deliberativo desde as primeiras semanas deste ano.
Inicialmente, o material produzido pela empresa, contratado para avaliar a situação econômica do clube e indicar novas alternativas de financiamento, entraria na pauta dos conselheiros agora. Porém, como o balanço do último exercício ainda não foi concluído, o tema ficará para depois da apreciação das contas, prevista agora para o fim de abril. Assim, o estudo da Alvarez & Marsal deve entrar em pauta apenas em maio.
O entrave não está relacionado ao trabalho da consultoria, já finalizado, nem ao comitê técnico formado por especialistas colorados, que também concluiu sua etapa. Falta apenas uma apresentação aos ex-presidentes do clube, que pode ocorrer a qualquer momento.
O problema está na consolidação dos números de 2025. A direção solicitou mais prazo para análise do balanço, dentro do limite legal, em razão de uma divergência sobre a contabilização de um item específico, que pode definir se o clube fechará o ano passado com superávit ou déficit.
A questão envolve a recompra de 10% dos direitos de transmissão de televisão junto à Futebol Forte União (FFU). Em 2023, o Inter vendeu 20% desses direitos por R$ 218 milhões, recebendo metade do valor. Em 2025, readquiriu 10%, operação que agora precisa ser registrada no balanço, no montante de R$ 109 milhões. A forma de lançamento, porém, ainda divide interpretações. Sem a definição desse ponto, o Conselho Fiscal ainda não recebeu os demonstrativos para análise, o que contribui para o atraso.
O relatório da consultoria, que foi contratada em novembro e deveria estar concluído até o final de 2025, apresenta diferentes alternativas para o futuro financeiro do clube. Entre elas, a apontada como a mais viável, apresenta um processo em duas etapas: primeiro, a reorganização das finanças — incluindo um pedido de recuperação judicial — e, posteriormente, a avaliação de uma eventual transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Entretanto, os caminhos sugeridos pela Alvarez & Marsal só serão discutidos após a resolução das contas de 2025.