Todo o favoritismo estava do lado do poderoso Barcelona, que além de encantar o mundo durante todo o ano, chegou ao Japão atropelando. A goleada de 4 a 0 sobre o América do México, na semifinal, teve ares de exibição dos Globetrotters. Enquanto isso, o Inter havia sofrido para superar o Al-Ahly, do Egito, sendo salvo pelos gols de Alexandre Pato e Luiz Adriano na apertada vitória por 2 a 1. Eto'o e o jovem Messi estavam machucados, mas havia Ronaldinho no auge. O melhor jogador do mundo. Ele e seus dribles desconcertantes, seus passes precisos, seus gols de placa. E sua marca registrada: o famoso sorriso.
Nada disso, porém, foi visto naquele domingo sagrado. O que se viu foi uma invasão vermelha ao Japão. Yokohama virou o Beira-Rio. Na província, a movimentação era intensa desde cedo. Muitos colorados não dormiram. As dificuldades seriam imensas, mas a disposição do torcedor em participar de um momento histórico não seriam menores. Aos primeiros raios de sol, eles tomaram as ruas. Concentraram-se em bares, ao redor de telões, nas casas de família. Ou isolaram-se do mundo, nervosos. A batalha iria começar.
Celebração atingiu seu ápice com o levantamento da taça pelo capitão Fernandão / Foto: Ricardo Giusti / CP MemóriaEm campo, aquela torcida foi representada por um time guerreiro. Concentração máxima. Consciente do poderio do adversário, a equipe do carioca Abel Braga, treinador bonachão, de estilo "ofensivista", preocupou-se em defender com qualidade. Ceará, jogador competente porém sem nenhuma grife, tirou o sorriso dos lábios de Ronaldinho, anulando o camisa 10. O velho Clemer operou milagres, principalmente no fim da partida. Índio verteu sangue pelo Inter, literalmente. Edinho deu carrinho até na sombra. O capitão artilheiro Fernandão marcou a saída de bola do meio-campo do Barcelona. Iarley entortou a coluna de Puyol. E a glória máxima coube a um rejeitado.
Adriano Gabiru entrou para colocar seu nome e o do Inter na história do futebol mundial. E liberar um grito preso na garganta de milhões de colorados, eufóricos e perplexos, ao mesmo tempo. Seria verdade? Sim, o sonho era realidade. O feito, realizado em plagas tão distantes, era mais do que relevante. O Inter estava no topo do mundo.
Neste sábado, o clube promove um evento para comemorar o aniversário de meia década da sua maior conquista, no Beira-Rio e no Gigantinho. Haverá atividades no campo para crianças, exibição do filme "Gigante", apresentação da banda Ataque Colorado e show pirotécnico.
Clique nos links e relembre a trajetória do Inter até a conquista do Mundial em 2006
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