• Lembre como foi a primeira passagem de Falcão como técnico do Inter
De imediato, deve haver uma mudança de clima na Padre Cacique. Afinal, saiu o contestado Celso Roth para dar lugar a um símbolo colorado. Os mais novos talvez não compreendam o tamanho da relevância que Falcão tem para o Inter. Foi ele que, em suas quase 160 partidas vestindo vermelho e branco, se transformava no cérebro de um Inter tricampeão brasileiro nos anos 1970 – década que só foi superada em títulos nos anos 2000, quando o clube conquistou o mundo.
E não é forçar a barra destacar a veneração por Falcão. Numa eventual estatística, oito entre dez colorados com mais de 30 anos não titubeariam na hora de dizer quem foi o maior jogador que já vestiu a camiseta do Internacional. “Falcão”, responderiam a maioria deles. “Carpegiani”, “Figueroa”, “Valdomiro”, completariam outros. A concorrência era enorme, desconte-se.
Bola no corpo nunca faltou ao dono da número 5 dos anos 1970, nem títulos: Falcão levantou oito troféus com o Inter naquele tempo. Ganhou cinco campeonatos gaúchos – na sequência em que o clube foi octa – e três edições do Brasileirão, 1975, 1976 e 1979, a última de forma invicta – algo não repetido até hoje. Foi de Falcão, por sinal, o gol da vitória nessa última final.
A despedida de Falcão como jogador colorado ocorreu em 1980 e não fez jus à sua história vitoriosa. Naquele ano, ele deixou o Beira-Rio como vice-campeão da América. Na ocasião, perdeu para o Nacional, de Montevidéu.
Sucesso não apenas no Inter
Falcão saiu de Porto Alegre para tornar-se o Rei de Roma, um carinhoso apelido ganhado na capital italiana. Levou a Roma para ao título italiano após um longo jejum. Antes de encerrar a carreira, ainda defendeu o São Paulo.
Ausente na Copa do Mundo de 1978, o então centro-médio conseguiu ser um dos destaques numa das melhores seleções brasileiras, na Copa do Mundo de 1982, na qual a eliminação, frente a Itália, é lamentada até hoje por amantes do bom futebol.
Após encerrar a carreira de jogador, Falcão iniciou a de técnico. Não durou muito, é verdade. Tal como fez Dunga 16 anos depois, ele começou diretamente na Seleção Brasileira, após o fiasco na Copa do Mundo de 1990. Iniciu a renovação da equipe que voltaria a conquista uma Copa em 1994, com Carlos Alberto Parreira. Falcão foi vice-campeão da Copa América em 1991 e deixou o cargo sem conquistar nenhum título. Em seguida, assumiu o América, do México.
Em 1993, comandou o Inter no Campeonato Brasileiro. Em 14 jogos sob seu comando, o Colorado venceu cinco vezes, perdeu cinco partidas e empatou outras quatro. Recusou-se a assumir como dirigente no ano seguinte e deixou o clube para treinar a seleção japonesa, onde ficou até 1995. Desde então, trabalhava como comentarista de futebol, apesar de não esconder a vontade de voltar a ser treinador. Vontade essa atendida agora, no seu time de coração.
Falcão em amistoso contra o Boca Juniors em Mar Del Plata em 1979. | Foto: CP Memória