Os sinais de desgaste, também evidentes pelo crescente número de lesões musculares, já começam a se fazer presentes no dia a dia do Inter. Porém, enganam-se aqueles que pensam que a situação vai melhorar em breve. Pelo contrário. A partir do início de maio, o Inter dará quase uma volta ao mundo para jogar oito partidas, seis delas longe do Beira-Rio. Ou seja, será um mês no qual os jogadores viverão uma rotina de viagens, aeroportos e escassos treinos, tornando inevitável o rodízio entre os titulares para suportar a sequência.
A tabela é inversa a de abril, quando o Inter teve nove partidas, mas a maioria foi ou será em Porto Alegre − inclusive o Gre-Nal. Agora, os jogadores singrarão a América do Sul indo a Medellín e a Montevidéu para partidas pela Libertadores, contra Atlético Nacional (COL) e Nacional (URU), além de mais quatro jogos no Brasil: São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Recife. Também há duas partidas no Beira-Rio.
Para encarar todos os compromissos, o Inter percorrerá, em linha reta, mais de 27 mil quilômetros, às vezes com duas viagens por semana, sempre em aviões fretados, o que diminui um pouco o desgaste dos jogadores e otimiza o tempo entre uma ida e outra aos aeroportos.
Graças ao uso de aviões particulares, que são utilizados por praticamente todos os grandes clubes do Brasil, a delegação pode partir do local de cada partida apenas algumas horas após a bola parar de rolar, sem conexões ou esperas mais longas nos aeroportos. Assim, os jogadores desembarcam em Porto Alegre e podem descansar algumas horas antes do próximo treino.
“Os voos fretados nos dão a capacidade de, agora, a gente fazer uma refeição no próprio vestiário e voltar para casa, chegando às 6h da manhã. Daí, os jogadores podem acordar com um beijo da esposa chamando para almoçar. Isso tem um benefício absurdo porque descansa o músculo e a cabeça”, afirmou o técnico Roger Machado, após o empate sem gols com o Fortaleza, no Ceará, pelo Brasileirão, quando ele deixou de fora titulares importantes como Alan Patrick, Valencia e Bernabei.
O treinador, por enquanto, promete utilizar todos os titulares à disposição, com exceção daqueles que, devido ao desgaste, se aproximam de uma lesão. “Temos que usar as ferramentas que há no clube para recuperar bem os atletas. Escolher os melhores que vão estar à disposição e ir para a guerra. Não tem outra escolha”, disse.
A tabela se abranda em junho, logo antes da parada para a disputa do Mundial de Clubes. Daí, o Inter terá 30 dias sem jogos e viagens para se preparar para a reta final da temporada.
SEM CONTRAÇÃO (QUANDO POSSÍVEL)
Outra medida adotada para reduzir o desgaste dos jogadores e proporcionar a eles mais momentos com a família foi a abolição, em alguns casos, da concentração. Até a chegada de Roger Machado, o grupo se apresentava na véspera de cada jogo e ficava fechado em um hotel esperando a hora de a bola rolar. Agora, a concentração só é usada em casos específicos, principalmente em partidas à tarde. Quando a bola rola à noite, eles normalmente se apresentam horas antes e fazem uma refeição juntos antes da palestra do técnico e do deslocamento ao estádio.
“Há alguns anos eu deixei de fazer concentrações porque acredito que, com todo esse nível de estresse e envolvimento emocional, quanto mais próximo a gente ficar de casa, com as pessoas que te querem bem, melhor é a recuperação”, explicou Roger, em entrevista recente.