Inter

Inter deve ter mudanças de rumo em 2026

Independentemente do desfecho no Brasileirão, clube vislumbra rupturas para encarar a próxima temporada

Ramón Díaz tem contrato até o final de 2026, mas tem a permanência indefinida
Ramón Díaz tem contrato até o final de 2026, mas tem a permanência indefinida Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

Neste momento, não há tema mais urgente no Beira-Rio do que evitar o rebaixamento. Cada reunião, cada treinamento e cada entrevista orbitam em torno da mesma pergunta: o Inter conseguirá permanecer na Série A? A três rodadas do fim, com risco real e palpável, a sobrevivência virou prioridade absoluta e qualquer outro debate está fora de hora, mas, ainda assim, nos bastidores, uma segunda pauta começa a surgir de forma discreta, mas inevitável. Enquanto jogadores e comissão técnica se concentram no duelo contra o Vasco da Gama, amanhã, em São Januário, dirigentes e conselheiros já enxergam mais adiante: independentemente da divisão, o Inter de 2026 terá de ser diferente do que foi em 2025.

E não são poucos os que consideram essa transformação uma necessidade tão evidente quanto somar pontos na tabela. Seja qual for o desfecho deste ano, o planejamento para 2026 já carrega ares de ruptura. A profundidade das mudanças dependerá da divisão em que o clube estará. Se o pior acontecer, a readequação orçamentária deixará de ser escolha e se tornará imposição. Afinal, é certo que uma queda terá como consequência uma redução das receitas ordinárias de pelo menos 30%, podendo ser maior.

Com isso, manter uma folha salarial que ultrapassou R$ 21 milhões mensais, na média entre janeiro e setembro, torna-se impossível de ser mantida. Jogadores com vencimentos mais altos, como Borré, Vitão, Alan Patrick e outros, precisariam ganhar novos ares. Investimentos também se tornariam escassos e a compra de Carbonero, que custará 4 milhões de dólares e deve ser feita até dezembro, poderia ficar inviabilizada.

Mas uma mudança de rota deve ocorrer até mesmo em caso de permanência na Série A. A expectativa é de alterações significativas na gestão do vestiário. O atual vice de futebol, José Olavo Bisol, dificilmente seguirá. E nem mesmo o diretor técnico D’Alessandro, responsável por indicar reforços que não deram o retorno esperado em 2025, tem vaga garantida.

Os sinais vêm de dentro. Após o empate frustrante com o Santos no Beira-Rio por 1 a 1, jogo que era para aliviar a tabela e acabou reacendendo o alerta, Bisol deu indícios que haverá ajustes depois do Brasileirão. “Vamos ter a oportunidade de fazer as críticas e a prestação de contas do que aconteceu na temporada. Mas agora não é a hora. Agora precisamos do apoio”, afirmou o dirigente, repetindo um discurso que já havia sido formulado pelo presidente Alessandro Barcellos em uma entrevista recente.

Depois de encarar o Vasco, o Inter ainda enfrenta São Paulo, na Vila Belmiro, e Bragantino, no Beira-Rio, para tentar garantir sua permanência na Série A. Ainda não é o cenário mais dramático da história colorada, mas também está longe de permitir qualquer tranquilidade.

| Foto: ARTE: LEANDRO MACIEL

Veja Também