O Inter tem um time melhor e venceu o primeiro duelo por 2 a 0. Jogará em casa, diante de 50 mil dos seus, sobre o gramado que conhece bem. O Grêmio, por sua vez, ainda não se encontrou. Vive uma rotina apertada, sob pressão, colhendo resultados insuficientes. Além disso, perdeu o primeiro clássico, o que lhe impõe uma virada histórica para atingir o sonhado oitavo título gaúcho consecutivo. Aparentemente, tudo aponta para o título colorado, mas o futebol é uma caixinha de surpresas (perdoem o clichê), e é exatamente na imprevisibilidade que reside a sua beleza. Por isso, apesar da grande vantagem dos vermelhos, é impossível prever quem levantará a taça após o Gre-Nal 446, que ocorre na tarde deste domingo, no Beira-Rio.
Ao Grêmio, não basta vencer. Precisa, além disso, construir um placar com dois gols de vantagem para levar a decisão aos pênaltis. O título de forma direta só vem em caso de vitória por diferença de três gols ou mais, algo pouco crível para uma equipe que não ganhou seus três mais recentes jogos (contra Juventude, Inter e Athletic), sofrendo sete gols no total. “Os nossos jogadores estão comprometidos para reverter essa situação. Confio que eles vão jogar bem no Gre-Nal. Buscaremos fazer um dia antes um trabalho tático para jogar o Gre-Nal da melhor maneira possível”, afirmou Gustavo Quinteros após a classificação, nos pênaltis, para a próxima fase da Copa do Brasil, na quarta-feira, em Minas Gerais.
Revivendo a velha gangorra Gre-Nal, o Inter vive uma fase oposta. Está invicto em jogos oficiais na temporada (perdeu apenas um amistoso para o México, em janeiro), fez a melhor campanha da fase classificatória e chegou à final com relativa tranquilidade, vencendo o Caxias no Centenário e no Beira-Rio.
O bom rendimento do time é resultado da continuidade do trabalho de Roger Machado, mas também da qualidade dos jogadores e das peças de reposição. Nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, o técnico confirmou que manterá o mistério quanto às suas escolhas no time, principalmente entre Carbonero ou Wesley e Borré ou Valencia. Diante da fartura, Roger terá que eleger entre os ex-titulares ou aqueles que entraram em seus lugares e deram conta do recado, mantendo o nível.
Acima de tudo, porém, o técnico e todo o contexto colorado ressaltam o respeito ao adversário. A euforia pode ter tomado conta da torcida, que lotará o Beira-Rio, mas não chegou ao CT Parque Gigante − pelo menos é o que dizem todos os que convivem na intimidade do vestiário colorado. “A nossa vantagem é muito boa, mas já vimos inúmeros eventos com mudanças. Este grupo se caracteriza por ser trabalhador e focado. O resultado (do primeiro Gre-Nal) foi importante, mas não há nada concretizado”, defende Roger.
Quinteros, além de ainda não ter encontrado uma formação ideal, tem problemas médicos para administrar. Braithwaite deixou o campo ainda no primeiro tempo do jogo contra o Athletic devido a dores musculares e preocupa. A tendência é que comece jogando, mas não há certezas sobre o tempo que resistirá. Em compensação, Cuéllar recuperou-se e deve ficar à disposição. Jogar ou não passará pela estratégia de jogo montada por Quinteros. “Tenham paciência, porque para formar um time competitivo, temos que ter tempo para treinar e para que os jogadores consigam jogar juntos. Não é fácil”, pediu o técnico.
Enfim, o Gre-Nal 446 tem as características de sempre, como a rivalidade levada ao mais elevado grau, mas também é diferente dos demais. Ele vale muito, vale quase uma Copa do Mundo. Afinal, os gremistas podem conquistar o oitavo título consecutivo do Gauchão, reafirmando uma hegemonia e alcançando um feito até então exclusivo dos colorados. O Inter, por sua vez, lutará pela taça para não permitir que o rival conquiste o inédito octa e, principalmente, para encerrar seu próprio jejum de títulos.
Trata-se de um Gre-Nal histórico, com casa cheia, que ficará marcado ou pela história de afirmação dos colorados ou pela imortalidade dos gremistas.