O Inter está encontrando dificuldades para contratar o substituto de Paulo Pezzolano. Em meio a uma situação financeira delicada, afundado na zona de rebaixamento, com restrições para contratar jogadores e às vésperas de um processo eleitoral, o clube tem pouco a oferecer aos profissionais procurados. Pelo menos quatro ou cinco treinadores foram sondados ou receberam propostas e não aceitaram assumir o comando da equipe neste momento.
A intenção inicial da direção era ter um novo técnico no CT Parque Gigante já nesta quarta-feira. As recusas, porém, fizeram que o prazo fosse ampliado. A expectativa agora é de que o substituto seja definido até o final da semana. O elenco, enquanto isso, segue sob o comando interino de Pablo Fernandez. O Inter só voltará a campo em 7 de outubro, contra o Corinthians, no Beira-Rio.
O primeiro nome escolhido pela direção foi Luiz Zubeldía. O argentino, que conhece o futebol brasileiro e acumula trabalhos de destaque no São Paulo e no Fluminense, era visto como o perfil capaz de assumir a equipe e tentar uma reação nas últimas rodadas do Brasileirão. O projeto apresentado, porém, não foi suficiente para convencê-lo.
Na sequência, o clube buscou informações sobre Diego Aguirre. O uruguaio está empregado no Peñarol e não demonstrou interesse em deixar o clube neste momento. Situação semelhante ocorreu com Maurício Barbieri, que trabalha no Juventude e também não aceitou a proposta para assumir o Inter agora. Nas últimas horas, um nome que ganhou força foi o de Eduardo Baptista, do Criciúma. Ele comandou o time em jogo pela Série B na noite de ontem contra o Operário, em casa, mas aceitaria o desafio.
Jair Ventura passou a ser tratado como plano A depois das primeiras negativas. O treinador gostaria de trabalhar no Inter e também teria interesse em atuar ao lado de Abel Braga. O problema é que ele não pretende deixar o Vitória por iniciativa própria neste momento.
Jair foi mantido no cargo pelo clube baiano mesmo depois de atravessar momentos de turbulência durante a temporada. Sua intenção é permanecer no Vitória até o fim do trabalho, a menos que seja demitido. A direção do Leão, por sua vez, não sinaliza intenção dispensá-lo.
O cenário deixa o Inter diante de uma tarefa que se tornou mais complexa pela própria situação do clube. A direção precisa encontrar um treinador disposto a assumir uma equipe pressionada, com dez rodadas pela frente no Campeonato Brasileiro e a missão de evitar o rebaixamento.
Além das dificuldades esportivas e financeiras, o clube ainda convive com a proximidade da eleição. Nesse contexto, o peso da história colorada e a possibilidade de uma reação na reta final do campeonato aparecem como os principais argumentos para tentar convencer um profissional a assumir o cargo. Por enquanto, porém, eles não têm sido suficientes.