Inter

Inter está a 90 minutos de um sonho

Colorado disputa principal título da América contra o Chivas hoje

Inter está a 90 minutos de um sonho
Inter está a 90 minutos de um sonho Foto : Jefferson Bernardes / VIPCOMM
Libertadores da América não é uma competição qualquer. Não se trata de um torneio simples, fácil de ser vencido. Nada disso. Na verdade, é a mais importante disputa interclubes das Américas. Reúne os melhores times e os mais bem preparados jogadores num confronto marcado por rivalidade, bom futebol e artimanhas. Chegar à final é motivo de um grande prazer. Vencê-la, de glória eterna.

Quando os 11 escolhidos por Celso Roth pisarem o gramado do Beira-Rio logo mais para enfrentar o Chivas e decidir a Libertadores saberão que podem, em caso de triunfo, deixar o status de jogadores normais para alcançarem a condição de personagens históricos de um clube de futebol como o Inter.

O ambiente do jogo mostra isso. Quem passou pelo Beira-Rio nos últimos dias percebeu que algo diferente do normal ocorre por ali. O local está cercado de reengenharias, reformas, melhorias. Está envolto por um clima distinto do cotidiano. Só de jornalistas, são quase quatro centenas que vêm de várias partes do mundo. Até do Japão há uma equipe de televisão. “Viveremos uma situação ímpar, única e sabemos das nossas responsabilidades. Não chegamos aqui por nada”, enfatizou Celso Roth, numa sala de entrevistas que poucas vezes — talvez somente em 2006 — acomodou tantos profissionais de imprensa.

Roth enfatizou a necessidade da manutenção da rotina, apesar da realidade evidenciar o contrário. Ele admite que a vantagem construída com a vitória no Omnilife, há uma semana, por 2 a 1, é grande, principalmente por se tratar de uma decisão. Não é, porém, definitiva. “Não vamos deixar de respeitar alguém, principalmente o Chivas. Temos todas as condições de fazer um bom jogo como fizemos lá”, observa.

Bolívar é um dos mais envolvidos na decisão. Se tudo der certo para o lado vermelho, encerra a noite como protagonista, levantando a taça. Ele sim virará pôster, figura lendária do clube, terá sua imagem reproduzida para a posteridade. Novas gerações de colorados receberão o nome Bolívar como homenagem ao homem que foi capitão do time e levantou a taça do bi da América diante de um Beira-Rio lotado.

O zagueiro, um dos muitos remanescentes do grupo campeão em 2006, diz que evita pensar na hora de erguer o troféu. E, modesto, pensa em dividi-la com todo o grupo: “Não é um momento meu. Vai ser do grupo todo. Quero chamar todo mundo e ter esse prazer”, diz Bolívar, mostrando um orgulho incontido. “Quero futuramente olhar para cá e ver meu nome marcado na história. Levantar o troféu fica em segundo plano. Depois de sacramentar o placar, vou pensar nos companheiros e levantar com todos. Se conquistarmos o título, quero todos perto de mim”, diz o zagueiro.

O jogo também pode marcar um fato importante na centenária rivalidade Gre-Nal. Considerando grandes títulos, o Inter está atrás do coirmão apenas por uma Libertadores. E também isso contamina o vestiário e o clima da partida contra o Chivas. “Todo mundo fala nessa rivalidade. Aqui no Rio Grande do Sul, a cobrança e a rivalidade são grandes demais. Vai finalmente acabar essa chacota de não ser bi da Libertadores”, finaliza o capitão.

Para isso, basta que o Inter empate com o Chivas dentro do Beira-Rio, que, certamente, viverá uma noite histórica. E para a história, passarão todos. Jogadores, dirigentes, torcedores e Celso Roth.
 
Inter x Chivas
final da Libertadores, 22h

Internacional: Renan, Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Sandro, Guiñazu e Tinga; D’Alessandro e Taison; Rafael Sobis (Alecsandro). Técnico: Celso Roth.

Chivas: Luis Michel, De Luna, Reynoso, Magallón e Ponce; Báez, Mejía e Fabian; Arellano, Bautista e Omar Bravo. Técnico: José Luís Real.

Arbitragem:
Oscar Ruiz (COL), auxiliado por Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL).

Local: estádio Beira-Rio.

Início:
22h.