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Inter faz fiasco no Passo D´Areia e leva três do Zequinha

Colorado não aproveita chances, é goleado e vê grande crise se formar no Beira-Rio

Falta de luz interrompeu o jogo por quase meia hora
Falta de luz interrompeu o jogo por quase meia hora Foto : Fabiano do Amaral
Em sua entrevista coletiva na terça-feira, Jorge Fossati disse que nunca havia visto uma pressão tão grande. A esperança era uma vitória sobre o São José. Entretanto, nem o mais otimista torcedor do Zequinha esperava o resultado do jogo da noite desta quarta-feira, pela quinta rodada da Taça Fábio Koff. O time da zona Norte da Capital quebrou um tabu de 44 anos e, não só bateu, como goleou o Colorado por 3 a 0 no Passo D'Areia.

O vexame, além de escancarar uma crise gigante no Beira-Rio, deixa o Inter na terceira colocação da chave 11, com oito pontos. O clube perdeu a posição justamente para o São José, que agora tem 10 pontos, ao lado do Caxias, próximo rival colorado, no domingo. De quebra, caso vença nesta quinta, o Grêmio ultrapassa o arquirrival na liderança geral da competição.

Nos escanteios, melhor para o Inter. Já no placar...

No primeiro tempo contra o São José, o Inter pareceu estar repetindo a partida com o Pelotas. Dominou o jogo, criou chances e não as aproveitou. Por outro lado, o adversário teve 100% de aproveitamento em todas as suas chegadas, indo para o intervalo com vantagem de 2 a 0.

A partida transcorria com pressão do Inter até os 15 minutos de jogo, quando Alecsandro recebeu um lançamento, mas, na dividida com o goleiro Rafael, o arqueiro levou a pior. O goleiro teve que deixar o campo com fratura na perna direita e foi direto para o hospital.

Na retomada, mal a bola havia voltado a rolar, e o São José aproveitou a primeira chance, aos 23. Juca cruzou da esquerda para Jéferson. A bola acaba sobrando para Dadá que concluiu no canto esquerdo de Abbondanzieri, balançando as redes coloradas pela primeira vez.

Atrás no placar, os colorados se tocaram ao ataque. Entretanto, ao invés de gols, acumularam escanteios. Mesmo com boas jogadas ensaiadas nas cobranças de córner, nada de movimentar o placar. Na melhor chance, aos 31, Taison carimbou a trave. O rebote foi exatamente nos braços de Tiago, que segurou firme.

O time vermelho seguiu na frente, criando e desperdiçando. Já o Zequinha ainda foi premiado no último minuto do tempo regulamentar. Novamente o cruzamento da esquerda visava Jéferson. A zaga afastou mal e, livre, o atacante conseguiu dar de puxeta entre Nei e Sorondo e marcar mais um gol, ele que é o artilheiro isolado do Gauchão.

Zequinha se aproveita da confusão

No apagar das luzes da primeira etapa, D'Alessandro e Argel discutiram feio, encararam-se e por pouco não chegaram às vias de fato. Logo a seguir a confusão, o auxiliar técnico do Zequinha, Claudiomiro, e Jorge Fossati trocaram empurrões. Em meio ao imbróglio, Márcio Chagas apitou o fim do primeiro tempo. Apenas Argel foi expulso.

Se a pressão já estava grande na volta do intervalo, ela só piorou aos 3 minutos do segundo tempo. A bola sobrou para Guilherme, pela direita, enquanto a defesa colorada se concentrava pelo meio. Em um gol digno de sua camisa, a 10, da entrada da área, ele encobriu Pato Abbondanzieri no gol mais bonito da noite.

Imediatamente, Fossati trocou a dupla de ataque e sacou Alescandro e Taison para dar lugar a Walter e Edu. De uma forma mais desorganizada, o Inter seguiu mais ofensivo, mas dando espaços preciosos aos donos da casa. Aos 13 minutos, Guiñazu perdeu a melhor oportunidade do Inter, ao chutar por cima um cruzamento que recebeu livre, dentro da área.

Apagão. Literalmente

Numa noite de apagão em campo, coincidentemente, o estádio acabou entrando na onda. O relógio marcava 24 minutos do segundo tempo, quando alguns dos refletores do estádio Passo D'Areia falharam. Márcio Chagas interrompeu a partida. O jogo ficou parado por longos 28 minutos parado.

Enquanto isso, os jogadores colorados estiveram reunidos em pequenos grupos. Nas arquibancadas, antes da debandada de boa parte dos torcedores, gritos para Fossati sair e pedindo a volta de Muricy Ramalho, que está desempregado. No retorno, a torcida Popular até continuava cantando, mas de costas para o campo. A direção também não foi poupada: “Mercenários, o clube é do povo”, bradavam.

Depois do tempo parado, Abbondanzieri ainda protagonizou um lance bizarro. Perdeu a dividida quase na meia cancha – sim, meia cancha – e Jéferson arriscou de longe. A bola ainda balançou o lado de fora das redes.

O fim (ou o início?) do pesadelo colorado só aconteceu após os 70 minutos de segundo tempo. No apito final, Fossati suspirou. Se ele achava que a pressão estava grande depois de quatro empates seguidos, ele não deve nem imaginar o que o aguarda após a goleada para o São José.

São José 3
Rafael (Tiago); Alexandre, Wagner, Gustavo e Juca; Marabá, Dadá (Douglas), Jonas e Guilherme; Jéferson e Pedro Carmona (Rafael Xavier). Técnico: Argel Fucks.

Inter 0
Abbondanzieri; Nei, Sorondo, Fabiano Eller e Kleber; Wilson Mathias, Guiñazu, Giuliano (Marquinhos) e D'Alessandro; Taison (Walter) e Alecsandro (Edu). Técnico: Jorge Fossati.