CP: Já é possível perceber o tamanho do desafio no Inter?
Aod: É bastante grande. O mundo do futebol é complexo e o Inter é um clube grande.
CP: Como está a situação financeira do clube?
Temos um déficit estrutural e alguns problemas de gestão que precisam ser resolvidos. Falando isso, não estamos fazendo críticas a ninguém, apenas confirmando o que todos sabem. O Inter precisa sair do corner, pois ele dificulta os bons negócios. Nos últimos anos, o Inter fez crescer as suas receitas, mas as despesas cresceram mais.
CP: Quando começou esse descompasso?
O déficit do Inter vinha diminuindo ano a ano, até que passou a crescer outra vez. Isso aconteceu há cerca de três anos.
CP: Qual é o déficit de 2010?
Depende da forma que é interpretado. Se incluirmos os recursos do Eucaliptos, é de aproximadamente R$ 20 milhões. Se esse negócio não for considerado, pode chegar a R$ 30 milhões.
CP: Quando será possível sobreviver sem venda de atletas?
A maioria dos clubes são deficitários e o Inter também. Mas queremos olhar para frente e resolver. Apresentei aos conselheiros um projeto com três metas. A primeira é encerrar este ano sem depender de empréstimos bancários. Depois, em 2012, não precisar da antecipação de receitas e, finalmente, chegar a 2013 dependendo menos da venda de atletas.
CP: Giuliano já foi. Será preciso vender mais algum em 2011?
Se mantivermos a atual estrutura, será inevitável. Mas estamos fazendo mudanças. Então, vamos avaliar no futuro. A princípio, é preciso mais uma venda.
CP: E os novos negócios?
Estamos indo ao mercado com postura mais agressiva. Acreditamos que os resultados no campo permitem fazer melhores negócios. O Inter precisa sair desta sinuca em que está metido. Um exemplo: nos últimos dois anos, o marketing arrecadou cerca de R$ 22 milhões por ano. Em 2011, nosso plano é arrecadar duas ou três vezes mais.
CP: Qual é a fatia do futebol no orçamento?
O futebol é a atividade fim do Inter. Hoje, ele consome 80% das receitas do clube. Mas o Inter é um clube grande e continuará a fazer grandes investimentos.
CP: Atualmente, uma construtora administra a reforma do Beira-Rio em troca de 8% dos custos totais da obra. Isso deve render perto de R$ 15 milhões a esta empresa. Hoje, este contrato é alvo de críticas. A nova gestão já analisou esta situação?
Analisamos todos os aspectos da obra, inclusive esse contrato.
CP: Qual é o futuro da reforma do Beira-Rio?
Vamos levar todas as informações ao Conselho, para que ele toma sua decisão. É um assunto que influenciará por 20, 30 ou 50 anos. A gestão também vai se manifestar e dizer qual considera o melhor caminho.
CP: Qual é esse "melhor caminho", na sua visão?
O Inter precisa de um parceiro. Assim, fica livre dos riscos financeiros de um negócio deste porte e pode dedicar-se só ao futebol, sua atividade fim.