A turbulência do Inter não se limita ao gramado. Em meio a uma campanha altamente preocupante no Campeonato Brasileiro e impedido de registrar novos atletas por conta de um transfer ban imposto pela Fifa, o clube também enfrenta restrições financeiras que dificultam a chegada de reforços considerados essenciais. Apesar do cenário adverso, os números de 2025, referentes ao último exercício, ainda estão em fase de fechamento, mas já indicam uma leve melhora em relação ao ano anterior.
Internamente, dirigentes comemoram a perspectiva de um pequeno superávit, além de uma discreta redução no nível de endividamento no ano passado. Os dados, no entanto, seguem sob análise e podem sofrer ajustes antes da apresentação oficial.
Neste momento, a consultoria contratada para auditar as demonstrações financeiras realiza a revisão do balanço. Após essa etapa, os documentos serão encaminhados ao Conselho Fiscal, responsável por emitir parecer recomendando aprovação, aprovação com ressalvas ou rejeição das contas.
O prazo para que o Conselho Deliberativo se reúna e aprecie os números se estende até o fim de abril. Historicamente, a reprovação é considerada uma medida extrema no clube. Até hoje, apenas o exercício de 2016 teve as contas rejeitadas, período marcado pela gestão de Vitorio Piffero, que culminou no rebaixamento à Série B e segue sob investigação judicial por suspeitas de crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato.
Embora a tendência de melhora financeira amenize o quadro, o ambiente político adiciona incerteza ao processo. Sem maioria consolidada entre os mais de 340 conselheiros, o presidente Alessandro Barcellos pode enfrentar resistência na votação, o que mantém em aberto a possibilidade de contestação das contas. Há a possibilidade muito concreta de, no mínimo, aprovação com ressalvas.
Publicamente, o mandatário evita confirmar a projeção de superávit e de redução da dívida. Nos bastidores, porém, o discurso é de cauteloso otimismo, ainda que distante de aliviar, por completo, a pressão que hoje cerca o clube dentro e fora de campo. Mas tudo vai depender do desempenho do time. Se houver uma melhora, até a análise dos números, que deveria ser fria, pode ser facilitada.