O Conselho Deliberativo do Inter analisará na próxima segunda-feira o orçamento de 2026, elaborado pelo Conselho de Gestão, que prevê uma receita bruta total de R$ 721,5 milhões para a próxima temporada. Embora o número seja expressivo, o documento revela uma dependência elevada da venda de atletas para equilibrar as contas: R$ 204,9 milhões, ou quase 30% do total, devem vir do mercado de transferências.
O orçamento também deixa claro que o valor cheio das negociações não entra nos cofres do Inter. Dos R$ 204,9 milhões estimados com vendas, apenas R$ 117 milhões ficariam efetivamente com o Inter. A diferença, cerca de R$ 87,9 milhões, corresponde à fatia destinada a clubes detentores de percentuais dos direitos econômicos, além de comissões a empresários e intermediários.
Além das transferências, outras fontes de receita previstas são: bilheteria (R$ 23,3 milhões), cotas de televisão (R$ 108 milhões), premiações (R$ 74,6 milhões), receitas sociais (R$ 107,7 milhões), patrocínios (R$ 101,8 milhões), publicidade (R$ 65,9 milhões), licenciamento de marca (R$ 32,1 milhões) e outras receitas menores, que somam R$ 3 milhões.
Mas há algunas alertas importantes. O mais urgente é a situação da Alfa, patrocinadora master do Inter desde janeiro. A empresa, que se comprometeu a pagar R$ 50 milhões por ano, além da premiação por metas esportivas, está inadimplente há dois meses. O Grêmio já rescindiu o contrato com a mesma patrocinadora, e há forte expectativa de que o Inter faça o mesmo, o que poderá reduzir significativamente a receita prevista.
Outra preocupação refere-se ao cenário de instabilidade administrativa. Na quarta-feira, o clube confirmou o fim do transfer ban imposto pela Fifa na véspera, após quitar valores pendentes de uma contratação. A direção não revela o credor responsável pela medida, mas nos bastidores comenta-se que o Racing, da Argentina, teria acionado o Inter por causa da negociação envolvendo o atacante Carbonero.
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