O Inter retirará da história - sobretudo da sua própria - as lições necessárias para a decisão contra o Chivas, amanhã, às 22h, pela Libertadores, no estádio Beira-Rio. O objetivo é deixar o clima de "já ganhou", que contamina Porto Alegre e arredores, longe do vestiário colorado nos momentos que antecedem o segundo jogo contra os mexicanos. No primeiro, deu Inter por 2 a 1. Ou seja, revirando as páginas do passado, os dirigentes procuram exemplos de como deixar escapar um título que parece ganho. Mostrá-los aos jogadores, para que não se repitam, é o passo seguinte.
"Estou ansioso e tenso exatamente com essa euforia toda. Lembro que no passado tivemos problemas com isso", observa o vice-presidente de futebol Fernando Carvalho. Ele próprio assistiu ao Inter encerrar de forma melancólica outras jornadas. O exemplo mais emblemático é a queda da Libertadores diante do Olímpia, dentro do Beira-Rio, após vencer por 1 a 0 no Paraguai, em 1989. "O Chivas não está na final à toa. É um excelente time e veio aqui para tentar nos vencer. Trata-se de um grande adversário", enfatiza o dirigente.
Fernando Carvalho garante que usará todos os meios disponíveis para manter o excesso de otimismo longe. O primeiro passo foi reunir os jogadores na sexta-feira, logo depois da grande vitória sobre o Chivas em Guadalajara. Houve uma espécie de palestra no vestiário lembrando que o 2 a 1 conquistado no Omnilife encaminha, mas não garante o título.
A campanha continuou com conversas dos dirigentes com pequenos grupos e culminará com uma reunião marcada para o dia do jogo, pouco antes do deslocamento do grupo para o Beira-Rio. Outra medida foi antecipar o início do período de concentração para a noite de ontem. Reclusos no hotel, os jogadores ficam apartados das conversas cotidianas com os entusiasmados torcedores colorados.
"Os jogadores são experientes e sabem que não há nada ganho. Mas não custa nada enfatizar sempre que se tem uma oportunidade", afirma, entre um e outro sorriso nervoso, o vice-presidente de futebol, veterano de outras importantes decisões, felizes e tristes.
A lição está sendo apreendida pelos jogadores. "É gostoso para nós, jogadores, percebermos a alegria dos torcedores. Mas a gente sabe que não há nada ganho. Em cinco minutos, tudo pode mudar", enfatiza Sandro, que jogará contra o Chivas a sua derradeira partida com a camisa do Inter. Em seguida, ele embarca para Londres, onde se apresenta ao Tottenham. "Conhecemos a nossa responsabilidade. Trata-se do nosso jogo do ano", continua.
Ontem, os jogadores treinaram pela manhã no Beira-Rio. Tinga, Alecsandro, Guiñazu e o próprio Sandro, todos com pequenas lesões, foram poupados do trabalho, mas fizeram tratamento médico. À tarde, o quarteto voltou ao estádio para acelerar a recuperação. De todos, a situação que mais preocupa é a do centroavante, que deixou o campo mais cedo em Guadalajara devido a um problema muscular. Desde então, trabalha para recuperar-se. A tendência é que jogue. Se isso não acontecer, Celso Roth terá de se decidir entre Everton e Rafael Sobis. O primeiro, porém, leva vantagem por possuir características parecidas com a do titular.
A participação ou não dos quatro passa pelo treino de hoje à tarde. Aqueles que participarem do trabalho, que será com os portões do estádio Beira-Rio fechados, devem ser confirmados na equipe que inicia. Como venceu em Guadalajara, o Inter precisa de apenas um empate para ficar com o título.
Inter quer evitar clima de "já ganhou" na decisão da Libertadores
Eliminação para o Olímpia, em 1989, serve de lição para os colorados