"Efeito neste tipo de altitude sempre se sentirá a partir do momento em que se põe os pés no local, mas tomando estas precauções e jogando com inteligência, pode-se sair com um bom resultado", afirma o fisiologista Luís Crescente.
Como ilustração histórica, exemplos não faltam. Foi na capital boliviana que a Seleção Brasileira sofreu a sua primeira derrota na história das Eliminatórias de Copa do Mundo, em 1993 (2 a 0). Foi no mesmo local que a seleção argentina levou 6 a 1 durante as Eliminatórias para a Copa de 2010.
Calcula-se que os principais sintomas (vômito, dor de cabeça, muita falta de ar) aparecem entre seis e oito horas depois da chegada ao local. Por isso, o Inter vai chegar a La Paz cerca de quatro horas antes do jogo, em um voo fretado que vai sair de Santa Cruz de La Sierra, localizada em uma altitude não significativa.
Aos jogadores serão oferecidos dilatadores nasais, que permitem uma respiração maior pelo nariz, de uso opcional. Também haverá cilindros de oxigênio para recuperação no intervalo. A alimentação antes da chegada a Bolívia foi reforçada no ferro, elemento que melhora o transporte de oxigênio no sangue.
Do ponto de vista tático, a ordem será tocar a bola, valorizar a posse e poupar energias. "Quando se toca a bola, se corre menos e se cansa menos", afirma o preparador físico Celso Rezende. Outra orientação é arriscar chutes de média distância. A bola vai mais rápida nesta altitude pela menor resistência do ar. Os times locais se beneficiam deste detalhe e abusam dos chutes de longe.