O Inter começou a temporada entusiasmado. Reeleito, o presidente Alessandro Barcellos abriu o cofre e trouxe reforços importantes, de hierarquia internacional. A torcida acompanhou e bateu recordes de associação. Nem o fracasso no Gauchão foi capaz de acabar com a sensação de que o clube poderia chegar a um título em 2024. Mas daí vieram as águas, que retiraram o clube de Porto Alegre, paralisaram as competições e fizeram os dirigentes recalcularem os objetivos: neste momento, o time colorado não é mais um postulante.
Os próprios dirigentes confirmam o novo cenário, causando pelas enchentes. "Eu tinha convicção que tínhamos condições de brigar pelo título. Agora eu não sei mais. Por isso vamos ver jogo a jogo, passo a passo. Não tenho essa certeza de que a gente vai ser postulante ao título por tudo que aconteceu no Rio Grande do Sul", afirmou o diretor esportivo Magrão, em entrevista no começo da semana, em Itu, para onde o grupo foi levado no início da semana passada para fazer uma intertemporada forçada.
O discurso do dirigente confirma o que o próprio presidente Alessandro Barcellos também declarou há alguns dias. Ele também afirmou que o clube havia se preparado para acabar com o jejum de títulos, inclusive, aumentando o volume de investimentos no futebol, mas a situação atual retira competitividade da equipe colorada. “Todos estão acompanhando as adversidades que estamos passando. A situação hoje é muito diferente da perspectiva que tínhamos desenhado no início do ano”, afirmou Barcellos.
Há muitos entraves. Os principais são de logística e de ordem financeira. O Inter ainda não sabe quando poderá voltar a jogar no Beira-Rio. Nesta terça-feira, enfrenta o Belgrano, pela Copa Sul-Americana, na Arena Barueri, em São Paulo, apesar de ser seu o mando de campo. E será assim pelo menos até o final de julho, perspectiva mais otimista de ter o estádio, que foi inundado pelas águas do Guaíba, estar pronto para receber jogos de competições oficiais.
Além disso, os jogadores não têm um local próprio para treinar. O CT Parque Gigante foi duramente atingido pelas cheias e teve a sua estrutura severamente danificada. O cálculo dos estragos ainda não foi feito, pois as águas ainda estão altas no local, mas a previsão é que uma reforma consuma pelo menos três meses. Após duas semanas de paralisação, os trabalhos foram retomados no Complexo Esportivo da PUC e, desde o início da semana, o grupo refugiou-se em Itu, onde fica até as vésperas o jogo contra o Delfín, dia 8 de junho, no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
Além das longas viagens, há os gastos. Um estudo preliminar calcula que serão necessários cerca de R$ 35 milhões para recuperar o CT Parque Gigante e o Beira-Rio. É mesmo valor que será investido na contratação de Rafael Borré.