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Inter reduz dívida e fecha 2025 com superávit, mas cenário exige mudanças estruturais

Receitas recordes e ajuste contábil evitam déficit, enquanto clube aguarda análise do Conselho Fiscal

Conselho Deliberativo vai analisar as contas de 2025 em 11 de maio
Conselho Deliberativo vai analisar as contas de 2025 em 11 de maio Foto : FABIANO DO AMARAL

A situação financeira do Inter inspira cuidados, embora apresente sinais de melhora em relação a um passado recente. Dados referentes a 2025, encaminhados pela gestão para análise do Conselho Fiscal, indicam uma redução do endividamento, além de um desempenho positivo nas receitas. No período entre janeiro e dezembro do ano passado, o clube registrou superávit de R$ 8,9 milhões.

Apesar do avanço, o volume da dívida segue elevado e, nos moldes atuais, é considerado de difícil administração sem mudanças estruturais. O passivo nominal caiu de R$ 977 milhões ao final de 2024 para R$ 940 milhões em dezembro de 2025. Ao observar apenas os chamados “principais grupos” da dívida, também houve retração, passando de R$ 860 milhões para R$ 809 milhões.

No campo das receitas, o Inter atingiu bons números. O total arrecadado chegou a R$ 776 milhões, com destaque para os R$ 286 milhões oriundos da venda de jogadores. As receitas de televisão e premiações também cresceram de forma significativa, saltando de R$ 128 milhões em 2024 para R$ 194 milhões em 2025, mesmo com a campanha muito ruim no Brasileirão, o que evidencia o acerto na adesão à Futebol Forte União. Outro ponto relevante foi o desempenho das receitas comerciais, que incluem patrocínios, alcançando R$ 245 milhões — também um recorde para o clube.

As despesas somaram R$ 767 milhões ao longo do ano, o que resultou no saldo positivo de R$ 8,9 milhões. Dentro desse montante, os custos relacionados ao futebol apresentaram elevação, passando de R$ 404 milhões para R$ 437 milhões. Esse grupo engloba negociações de atletas, pagamento de salários, direitos de imagem e logística.

O atraso no envio dos números ao Conselho Fiscal está ligado a uma questão contábil ainda sem definição. O Inter, junto a outros clubes integrantes da FFU, solicitou um parecer ao Conselho Federal de Contabilidade para esclarecer a forma de registrar a recompra de 10% dos direitos de TV, realizada em fevereiro de 2025. Como não houve retorno, o clube seguiu a orientação da empresa responsável pela auditoria das contas, optando por lançar 1/50 do valor da recompra em 2025. A medida suavizou o impacto nas contas e evitou a apresentação de déficit no exercício.

A origem desse processo remonta a 2023, quando o Inter negociou 20% dos direitos de transmissão por um período de 50 anos com investidores ligados à FFU, em um acordo de R$ 218 milhões, dos quais recebeu metade. Em fevereiro de 2025, o clube decidiu recomprar 10%, abrindo mão da outra metade do montante. A mesma estratégia foi adotada por outros integrantes do bloco.

Nos próximos passos, o Conselho Fiscal emitirá parecer recomendando a aprovação com ou sem ressalvas ou a reprovação das contas. Uma reunião do Conselho Deliberativo está marcada para a próxima segunda-feira, mas a tendência é de adiamento devido ao tempo reduzido para análise dos dados. Ainda assim, o Inter pretende divulgar os números até o fim de abril, assegurando transparência e atendendo às leis que regem o esporte brasileiro.