A apresentação de Fabinho Soldado como novo executivo de futebol do Inter, realizada nesta segunda-feira, trouxe um detalhe simbólico e revelador. A marca da Alfa, principal patrocinadora do clube desde o início da temporada passada, não estava no material institucional, tampouco na camiseta entregue ao dirigente ou no painel eletrônico posicionado atrás dos entrevistados. O episódio é mais um indício do esvaziamento da relação entre a empresa e o clube.
A tendência é de que o Inter estreie no Campeonato Gaúcho, no próximo dia 11, contra o Novo Hamburgo, sem a exposição da marca nos uniformes. No Beira-Rio, a avaliação é de que não há mais perspectiva de regularização dos pagamentos por parte da empresa. A situação se agravou porque, em 10 de janeiro, vence mais uma parcela do contrato, enquanto os atrasos já somam de três meses.
Diante do cenário, o clube notificou formalmente a patrocinadora, cobrando os valores em aberto e comunicando o descumprimento das cláusulas contratuais. A direção colorada agora aguarda os trâmites para a rescisão do acordo, que prevê o pagamento de multa. Nos bastidores, comenta-se que o valor poderia chegar a R$ 50 milhões, embora os dirigentes evitem confirmar oficialmente a cifra.
A Alfa, por sua vez, já manifestou de forma oficial o interesse em encerrar o vínculo, firmado originalmente por três temporadas. O Inter, no entanto, resistiu à ruptura durante boa parte do processo, ciente das dificuldades do mercado para encontrar um novo parceiro disposto a investir cifras semelhantes. Com a persistência dos atrasos, a manutenção do contrato passou a ser considerada inviável.
Para o Inter, a perda do patrocínio representa um impacto relevante no planejamento financeiro. O contrato previa o ingresso de cerca de R$ 50 milhões por temporada, além de bônus atrelados ao desempenho esportivo. Anunciado no início de 2025 como o maior patrocínio da história do clube, o acordo foi tratado, à época, como importante para o equilíbrio das contas.