O Inter tem uma dívida de R$ 1,27 bilhão e aparece como o sétimo clube mais endividado entre as equipes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Os números constam em um painel divulgado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), que reúne informações sobre os compromissos financeiros dos clubes com jogadores, outras agremiações, credores e o governo federal.
O levantamento coloca o Colorado em situação mais delicada do que a do rival Grêmio, que ocupa a 12ª posição, com débitos de R$ 936 milhões. O Inter, por sua vez, não reconhece os valores como um retrato atualizado de sua situação financeira. Segundo o clube, os dados disponibilizados pela agência têm como referência o mês de julho e não contemplam os pagamentos realizados desde então.
Recentemente, o Colorado anunciou a quitação das pendências com os jogadores após receber uma doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda. Por isso, o clube não confirma os débitos com atletas apontados no painel. Pelo contrário. De acordo com informações repassadas ontem ao CP, os compromissos com o grupo de jogadores estão em dia, mas o pagamento dos direitos de imagem de outubro deve ser realizado na segunda-feira.
A situação financeira também envolve um plano coletivo de pagamento de credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O procedimento foi instaurado em setembro de 2026 e anunciado pelo próprio Inter, em uma tentativa de organizar o cumprimento das obrigações com outros clubes e jogadores. Trata-se de um tipo de condomínio de credores.
O cenário ganha relevância diante da entrada em vigor das regras de Fair Play Financeiro no futebol brasileiro, em janeiro deste ano. Agora, os clubes poderão sofrer sanções por dívidas anteriores a 2026, conforme o regulamento da própria agência. O mecanismo amplia a pressão sobre as administrações para manter os compromissos financeiros em dia, já que as possíveis punições incluem a perda de pontos e até o rebaixamento de divisão.
ELEIÇÃO E CRISE
A dívida colorada também será um dos temas que cercarão a eleição presidencial do final deste ano. Três candidatos de oposição disputam a sucessão de Alessandro Barcellos, que encerra um ciclo de seis anos à frente do clube: Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino. Os movimentos que dão sustentação à atual gestão não se sentiram encorajados a lançar candidato. Nesse contexto, o tamanho do passivo, a capacidade de reorganizar as contas e a regularização dos compromissos com credores, além da situação do time no Brasileirão, tendem a ocupar espaço importante no debate eleitoral.